Houve no mundo tantas pestes quanto guerras. E contudo, as pestes, como as guerras, encontram sempre as pessoas igualmente desprevenidas.
Albert Camus
As epidemias fazem parte da história da humanidade. Acontecem quando uma doença regista um aumento significativo do número de casos numa determinada região ou população. De forma simplificada, as epidemias afetam a saúde e a vida da sociedade portuguesa.
Algumas doenças tornaram-se epidemias em Portugal, como a peste, a cólera, a tuberculose, várias estirpes de gripe, o sarampo e, mais recentemente, a COVID-19:
1853 a 1856
Cólera
1857
Febre amarela
1899
Peste bubónica
1918 a 1919
Gripe pneumónica (gripe espanhola)
Séculos XIX e XX
Tuberculose
Até meados do século XX
Malária
Anos 80 e 90
VIH/SIDA
2009
Gripe A (H1N1)
2012
Dengue
2017 e 2018
Sarampo
2020 a 2023
COVID-19
Vamos saber mais sobre elas?
O que é uma epidemia?
Uma epidemia ocorre quando há um aumento significativo do número de casos de uma doença numa determinada região ou população, acima do que normalmente seria esperado.
Direção-Geral da Saúde
De forma simples, uma epidemia é o aumento de uma doença acima do esperado numa determinada área geográfica, seja uma cidade, uma região ou um país inteiro.
Diferença entre pandemia, epidemia e endemia
Desde 2020, a palavra pandemia passou a fazer parte do dia a dia em Portugal. No entanto, também se ouve falar em endemia e epidemia. Mas quais são as diferenças entre estes termos?
Estes termos indicam diferentes níveis de ocorrência e de propagação de uma doença.
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Uma epidemia acontece quando o número de casos de uma doença aumenta, de forma significativa, numa região, cidade ou país, ultrapassando o que normalmente se esperaria. Em Portugal, várias doenças já foram consideradas epidemias, como a cólera e o sarampo.
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Uma pandemia ocorre quando uma doença se espalha por vários países ou continentes, atingindo grande parte da população mundial. A COVID-19, provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, é um exemplo recente de pandemia. A gripe A (H1N1), em 2009, também foi considerada uma pandemia em Portugal e no mundo.
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Uma endemia ocorre quando uma doença aparece de forma frequente numa determinada região, podendo apresentar um maior número de casos em certas épocas do ano. Em Portugal, a legionela é um exemplo de doença com padrão endémico em certas zonas do país, com maior incidência em determinados períodos.
Principais epidemias em Portugal
As principais epidemias registadas em Portugal foram a cólera, a febre amarela, a peste bubónica, a tuberculose, a malária, a gripe espanhola, o VIH/SIDA, a gripe A, a dengue, o sarampo e a COVID-19.
Cólera (1853 a 1856)
A cólera tornou-se uma grande pandemia no século XIX, espalhando-se da Ásia para a Europa e, depois, para outros continentes. Em Portugal, a doença atingiu especialmente o Porto e a região Norte em 1855, além do Algarve, chegando a Lisboa e à ilha da Madeira no ano seguinte.
Na época, Lisboa tinha graves problemas de saneamento e de abastecimento de água, o que ajudou a doença espalhar-se rapidamente, atingindo sobretudo a população mais pobre.
Na Madeira, a epidemia matou mais de 9.000 pessoas, das quais 3.600 no Funchal. Para combater a doença, as autoridades adotaram medidas como a quarentena de navios e o reforço dos recursos para o atendimento aos doentes.
Febre amarela (1857)
No mesmo período, a febre amarela também provocou grandes epidemias em Portugal, sobretudo em Lisboa. Em 1856, o vírus terá sido importado do Brasil, agravando ainda mais a situação sanitária da região.
da população de Lisboa contraiu a doença.
Na época, ainda não se conhecia completamente a forma de transmissão, que apenas mais tarde viria a ser associada ao mosquito.
Peste bubónica no Porto (1899)
Em junho de 1899, a Invicta foi atingida por um surto de peste bubónica. A doença foi diagnosticada pelo médico Ricardo Jorge, então diretor do posto de desinfeção pública do Porto, que rapidamente identificou os sinais clínicos e epidemiológicos característicos da peste.
A transmissão era feita pelas pulgas dos ratos, o que provocava temperaturas altas, dores, fraqueza e inchaço nos gânglios linfáticos. Sem tratamento adequado, a doença podia levar à morte.
A imposição de um cordão sanitário à cidade do Porto gerou grande impopularidade e revolta social, com impacto que se fez sentir durante muitos anos na relação entre o Porto e o poder central em Lisboa.
Entre junho de 1899 e janeiro de 1900, foram registados 320 casos e 132 mortes. O médico Câmara Pestana, que participou na investigação da doença, acabou por ser contaminado durante uma autópsia e morreu vítima da peste.
Gripe pneumónica ou gripe espanhola (1918 a 1919)
A gripe pneumónica, também conhecida como gripe espanhola, foi uma das maiores pandemias da história da humanidade, causada por um vírus Influenza A do subtipo H1N1.
Em Portugal, a doença chegou em meados de 1918, provavelmente trazida por trabalhadores agrícolas que regressavam de Espanha através do Alentejo. Em pouco tempo, a epidemia alastrou a todo o país, atingindo tanto as grandes cidades como as regiões rurais.
pessoas.
A epidemia desenrolou-se em três vagas, sendo a segunda, no outono de 1918, a mais mortífera. Algumas regiões do país perderam cerca de 10% da sua população. Os hospitais ficaram sobrelotados e faltaram médicos, medicamentos e recursos básicos para responder à crise.
Tuberculose
Durante os séculos XIX e XX, a tuberculose foi uma das doenças que mais causaram mortes em Portugal. Trata-se de uma doença infecciosa e contagiosa, transmitida pelo ar, que atinge principalmente os pulmões. Em Portugal, a tuberculose espalhou-se sobretudo pelas cidades em crescimento, onde muitas pessoas viviam em condições precárias, com pouca ventilação e higiene deficiente.
Durante o século XIX e o início do século XX, a tuberculose era conhecida como "peste branca" e causava grande preocupação nas autoridades de saúde.
Com o passar do tempo, o combate à tuberculose avançou, com a melhoria das condições de vida, o diagnóstico precoce e o surgimento de medicamentos eficazes. Ainda assim, a tuberculose continua a ser uma doença de vigilância prioritária em Portugal, sobretudo em contextos de maior vulnerabilidade social.
Malária
Até meados do século XX, a malária foi uma doença com presença significativa em Portugal, sobretudo nas regiões do Alentejo e do Ribatejo, onde as condições associadas à rega dos arrozais favoreciam a proliferação de mosquitos transmissores. Com programas de saneamento, drenagem de zonas húmidas e controlo de mosquitos, a doença foi progressivamente controlada e deixou de ser transmitida de forma autóctone em território português.
VIH/SIDA
A partir da década de 1980, o VIH/SIDA tornou-se um importante problema de saúde pública em Portugal. Durante largos anos, o país registou uma das taxas de infeção mais elevadas da Europa Ocidental.
O tratamento antirretroviral, disponibilizado gratuitamente pelo Serviço Nacional de Saúde, permitiu controlar a infeção e melhorar significativamente a qualidade e a esperança de vida das pessoas seropositivas. Ainda assim, o VIH continua a ser uma doença de vigilância epidemiológica prioritária no país.
Gripe A ou H1N1 (2009)
Em 2009, surgiu uma nova pandemia de gripe, causada por uma estirpe do vírus Influenza A (H1N1). A doença espalhou-se rapidamente por todo o mundo, incluindo Portugal, o que levou as autoridades a reforçar a vigilância sanitária e a preparar planos de contingência.
O Ministério da Saúde promoveu campanhas de vacinação e reforçou a monitorização de casos, sobretudo entre os grupos de maior risco, como grávidas, crianças pequenas e pessoas com doenças crónicas.
Dengue na Madeira (2012)
Em 2012, a Região Autónoma da Madeira registou o primeiro surto autóctone de dengue na Europa, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, presente na ilha desde 2005.
O surto afetou sobretudo residentes do Funchal e de concelhos vizinhos, como Câmara de Lobos. Não foram registados casos de dengue hemorrágica nem óbitos associados à epidemia. As autoridades de saúde adotaram medidas de controlo do mosquito, o que ajudou a conter a propagação da doença.
Sarampo (2017 e 2018)
Em fevereiro de 2017, Portugal registou um surto de sarampo que provocou a morte de uma jovem de 17 anos, não vacinada, e infetou cerca de 30 pessoas em dois surtos distintos, um no Algarve e outro na região de Lisboa.
Estes surtos ocorreram apenas um ano depois de Portugal ter sido reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como um país livre de sarampo, o que reforçou a importância da vacinação para manter esse estatuto.
A situação repetiu-se em 2018, com um novo surto sobretudo na região Norte, que levou à confirmação de mais de uma centena de casos ao longo do ano, a maioria em adultos não vacinados.
COVID-19 ou SARS-CoV-2 (2020 a 2023)
Em Portugal, o primeiro caso confirmado de COVID-19 foi anunciado a 2 de março de 2020. Poucas semanas depois, a doença já se encontrava em todas as regiões do país.
11 de março de 2020
A Organização Mundial da Saúde declarou a COVID-19 como pandemia
Durante a pandemia, Portugal enfrentou milhões de casos confirmados e dezenas de milhares de mortes.

Os hospitais ficaram sobrecarregados e foram adotadas medidas como o isolamento social, o uso de máscara, o encerramento de escolas e comércios, e o estado de emergência.
Em janeiro de 2021, começou a campanha nacional de vacinação contra a COVID-19, considerada uma das mais bem-sucedidas da Europa em termos de adesão da população. Com o avanço da vacinação, houve uma redução significativa das internações e das mortes associadas à doença.
Até 2024, Portugal registou mais de 28 mil mortes associadas à COVID-19, num total de mais de 5,6 milhões de casos confirmados desde o início da pandemia.
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Impactos das epidemias na sociedade portuguesa
As epidemias em Portugal causaram grandes impactos na sociedade, afetando a saúde da população, a economia e a rotina das pessoas. Nos períodos de aumento dos casos de doenças, os serviços de saúde ficaram sobrecarregados.

Além disso, as epidemias também provocam perda de vidas, afastamentos do trabalho, interrupção das atividades escolares e redução da atividade económica. Consoante a doença, pode ainda surgir mudança de hábitos na população, como o reforço dos cuidados de higiene ou o uso de máscara.
Medidas de controlo e prevenção de epidemias
As principais medidas de controlo e prevenção de epidemias são a vacinação, o diagnóstico precoce, o tratamento adequado dos doentes, o acompanhamento dos casos e o controlo da transmissão da doença. Outras medidas importantes incluem:
No caso de doenças transmitidas por mosquitos, como a dengue, é importante eliminar locais com água parada. Além disso, a atuação das autoridades de saúde pública, como a Direção-Geral da Saúde e o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, é fundamental para identificar rapidamente o aumento de casos e adotar medidas que impeçam a propagação da doença.
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Sensibilização pública sobre as epidemias
Uma das principais formas de prevenir e controlar as epidemias é através da sensibilização pública. Quando as pessoas têm informação correta sobre uma doença, como os seus sintomas e formas de transmissão, conseguem adotar medidas para proteger a sua própria saúde e a das outras pessoas.
Participação conjunta do governo, dos profissionais de saúde e da população em geral.
É importante que a população procure informação fiável e siga as orientações das autoridades de saúde. Além disso, compete aos organismos de saúde pública realizar campanhas de vacinação, definir políticas públicas, promover ações educativas e divulgar informação clara sobre cada doença!
Referências
- Maria Antónia Pires de Almeida (2011) A epidemia de cólera de 1853-1856 na imprensa portuguesa, acesso realizado em 23 de setembro de 2026. https://www.scielo.br/j/hcsm/a/TvjCDMypk3fkN9nBSKnpCHh/?lang=pt
- Universidade de Évora (2020) A Gripe Espanhola de 1918, acesso realizado em 23 de setembro de 2026. https://dspace.uevora.pt/rdpc/bitstream/10174/27785/1/n1918_GripeEspanhola_RCosta2020.pdf
- RTP Ensina (2015) Gripe pneumónica, a pandemia de 1918-1919, acesso realizado em 23 de setembro de 2026. https://ensina.rtp.pt/artigo/gripe-pneumonica-pandemia-1918-1919/
- Parasite & Vectores (2019) First dengue virus seroprevalence study on Madeira Island after the 2012 outbreak indicates unreported dengue circulation, acesso realizado em 23 de setembro de 2026. https://link.springer.com/article/10.1186/s13071-019-3357-3
- SNS (2018) Sarampo e Rubéola mantêm-se eliminadas em Portugal, acesso realizado em 23 de setembro de 2026.
https://www.insa.min-saude.pt/sarampo-e-rubeola-mantem-se-eliminadas-em-portugal/
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