Segundo o site da Catho, no Brasil, apenas 5% da população fala uma segunda língua e menos de 3% têm fluência em inglês. Em Portugal, cerca de 51% dos portugueses adultos não é capaz de falar uma segunda língua. E o que acontece na comunicação com os estrangeiros que se vêm estabelecer no Brasil ou em Portugal?

O ensino de português para estrangeiros, seja na universidade ou numa escola de idiomas, é totalmente diferente do ensino de língua portuguesa para alunos brasileiros ou portugueses da Educação Básica. É por isso que os professores precisam de conhecer a didática das línguas e, mais especificamente, a didática do PLE.

O Superprof responde às perguntas sobre as especificidades do ensino de PLE no Brasil e em Portugal!

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Vamos lá

Português para estrangeiros: como funciona um curso PLE?

Como dar um curso de português como idioma estrangeiro?
Incentivar os alunos a ajudarem-se entre si é uma boa maneira de progredir.

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Antes de se apresentar perante toda a turma, o professor de português língua estrangeira deve preparar as suas aulas. O professor deve levar em conta o nível (nível iniciante, intermediário, avançado, etc.) e a idade, a origem e os objetivos da sua turma.

Dessa maneira, ele será capaz de avaliar melhor o programa a ser elaborado, o conteúdo e a duração dos estudos de portugues para estrangeiros. Ele também precisa de determinar a duração da aula, os materiais de apoio (retroprojetor, quadro negro, jogos ...) e as condições humanas (o número de alunos).

Logo no arranque da sua aula de PLE, pode aplicar uma dessas duas metodologias:

  • Ou opta por uma abordagem superficial do português, com a apresentação do alfabeto e uma introdução à cultura portuguesa;
  • Ou entra diretamente no assunto, com uma abordagem comunicativa. Os alunos aprendem diretamente a apresentarem-se, a adquirirem conhecimentos linguísticos e, portanto, a falar português desde a primeira aula.

Com a abordagem comunicativa, os alunos podem interagir diretamente com o professor nas aulas de português para estrangeiros, mas também uns com os outros para se ajudarem entre si e, assim, criar uma coesão de grupo, importante para o futuro.

A compreensão escrita, a compreensão oral, a expressão escrita e a expressão oral podem ser abordadas a partir da primeira aula de português para estrangeiros simplesmente com a atitude de se apresentar. A professora diz "o meu nome é Maria", "tenho 35 anos". Ela escreve em dois pedaços de papel as duas frases e o objetivo é fazer os alunos entenderem como associar as duis. Então, os alunos copiam as frases e repetem-nas mudando a idade e o primeiro nome.

Isto permitirá trabalhar diretamente dois importantes verbos da língua portuguesa: ter e ser. Os alunos também vão estudar regras fonéticas para aprenderem a pronunciar. Então depois passamos à aprendizagem dos números.

Está a achar complicado? 

Mas não se aprende o português língua não materna da noite para o dia. O importante é regressar regularmente ao que foi aprendido, realizando revisões e reforçando os registos na memória a longo prazo.

Alguns professores usam jogos para tornar as aulas mais divertidas. Forca, cartões de memória ... O único limite é mesmo a imaginação do professor do curso de português para estrangeiros!

O professor também deve estar atendo às competências linguísticas sugeridas pela Base Nacional Comum:

  1. Compreender a língua como fenómeno cultural, histórico, social, variável, heterogéneo e sensível aos contextos de uso, reconhecendo-a como meio de construção de identidades dos seus utilizadores e da comunidade a que pertencem.
  2. Apropriar-se da linguagem escrita, reconhecendo-a como forma de interação nos diferentes campos de atuação da vida social e utilizando-a para ampliar as suas possibilidades de participar da cultura letrada, de construir conhecimentos (inclusive escolares) e de se envolver com maior autonomia e protagonismo na vida social.
  3. Ler, escutar e produzir textos orais, escritos e multissemióticos que circulam em diferentes campos de atuação, com compreensão, autonomia, fluência e criticidade, de modo a expressar-se e a partilhar informações, experiências, ideias, sentimentos, e continuar a aprender.
  4. Compreender o fenómeno da variação linguística, demonstrando atitude respeitosa perante as variedades linguísticas e rejeitando preconceitos linguísticos.
  5. Empregar, nas interações sociais, a variedade e o estilo de linguagem adequados à situação comunicativa, ao(s) interlocutor(es) e ao género do discurso/género textual.
  6. Analisar informações, argumentos e opiniões manifestados em interações sociais e nos meios de comunicação, posicionando-se ética e criticamente em relação a conteúdos discriminatórios que ferem direitos humanos e ambientais.
  7. Reconhecer o texto como lugar de manifestação e negociação de sentidos, valores e ideologias.
  8. Selecionar textos e livros para leitura integral, de acordo com objetivos, interesses e projetos pessoais (estudo, formação pessoal, entretenimento, pesquisa, trabalho, etc.).
  9. Envolver-se em práticas de leitura literária que possibilitem o desenvolvimento do senso estético para fruição, valorizando a literatura e outras manifestações artístico-culturais como formas de acesso às dimensões lúdicas, de imaginário e encantamento, reconhecendo o potencial transformador e humanizador da experiência com a literatura.
  10. Mobilizar práticas da cultura digital, diferentes linguagens, meios e ferramentas digitais para expandir as formas de produzir sentidos (nos processos de compreensão e produção), aprender e refletir sobre o mundo e realizar diferentes projetos autorais.

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Como progredir nos estudos de PLE e ter aulas de português para estrangeiros?

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Deve estar atento às diferenças sociais e culturais dos seus alunos.

Os níveis dentro da mesma turma e entre as diferentes turmas de PLE são, às vezes, muito variáveis.

É por isso que muitos professores avaliam o nível de alunos usando um teste de conhecimento no início da primeira aula. Há várias razões para isso:

  • O professor não conhece os seus alunos;
  • A turma é heterogénea;
  • Para saber quais são as competências reais dos alunos;

É graças a essa avaliação que o professor de português língua não materna vai poder elaborar o seu programa para que os alunos possam progredir ao longo do ano.

Para muitos estudantes, progredir na aprendizagem do português língua não materna é um processo longo e difícil. O progresso é realmente lento e, às vezes, é desanimador ver que não está a progredir como gostaria, ou pior, que está a regredir. O professor está lá para apoiar cada aluno porque a progressão é personalizada e independente da turma:

  • As taxas de assimilação podem ser muito variáveis ​​de um indivíduo para outro;
  • As assimilações são heterogéneas;
  • O princípio da progressão coletiva não é efetivo (especialmente para o trabalho fonético);

Cada aluno de português língua não materna é, portanto, acompanhado individualmente.

A progressão não é linear e passa por fases de regressão bastante normais. Assim, tendemos a progredir muito no início, depois a estagnar ou mesmo regredir. Depois a fase de progressão recomeça, mas mais lentamente.

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Além disso, a progressão de cada aluno no português língua não materna está fortemente ligada ao aspeto psicológico:

  • O aspecto sociocultural: é o mais profundo. É a atitude ou o comportamento do aprendiz de acordo com os seus ritos, crenças, costumes e cultura de origem. Por exemplo: a diferença social varia muito de uma cultura para outra;
  • O aspecto pessoal: em relação ao passado, à experiência, ao conhecimento dos alunos. Também se refere à motivação e às expectativas, construindo assim o perfil psicológico do aluno,
  • O aspecto situacional: o contexto da turma e das aulas pode influenciar o ensino de idiomas como o português.

Os erros dos alunos são parte integrante do processo de aprendizagem. Vamos citar a expressão de André Lamy: "o erro como trampolim para uma expressão correta". Ela esquematiza perfeitamente a ideia de que o importante no erro é corrigi-lo e aproveitá-lo ao máximo. A abordagem metodológica do professor deve levar isso em conta.

Curso de português para estrangeiros: qual a diferença entre o PLE e o PLM?

As aulas de português para falantes nativos não são em nada parecidas com as aulas de português dadas a estudantes imigrantes, estudantes estrangeiros ou refugiados não lusófonos.

Veja como são os diferentes campos de atuação propostos para contextualizar as práticas de linguagem no Ensino Fundamental e no Ensino Médio em Língua Portuguesa, no Brasil:

Onde aprender PLE?
Os diferentes campos apresentados pela Base Nacional Comum, no Brasil.

O PLE está mais relacionado com a aprendizagem de idiomas modernos. Quando começa a estudar o inglês, por exemplo, normalmente não sabe muito. O contexto é simplesmente diferente: o aluno não é "forçado" a aprender a língua para lidar porque vive no seu país de origem, ao contrário dos estudantes em PLE, que frequentemente estão numa situação particular. Aprender o português é uma forma de integração no país de acolhimento.

Assim, não se trata de estudar obras literárias clássicas, mas sim de aprender frases úteis em português na vida quotidiana para poder comunicar e integrar-se rapidamente.

A gramática e ortografia são, é claro, abordadas, mas de uma maneira diferente, e menos completa quando comparada ao ensino para estudantes do ensino fundamental e do ensino médio brasileiros. Ou comparados aos estudantes do  ensino básico ou ensino secundário em Portugal.

O objetivo é que, pouco a pouco, o aluno possa simplesmente comunicar com um interlocutor.

A noção da abordagem da ação, portanto, entra em jogo. Em outras palavras: o uso da linguagem não é dissociado das ações do estudante, que é ao mesmo tempo locutor e ator social.

"Comunicar é usar um código linguístico (competência linguística) relacionado a uma ação (competência pragmática) num determinado contexto sociocultural e linguístico (competência sociolinguística)".

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Em síntese:

  • Um curso de PLE é dado principalmente em português e prioriza a abordagem comunicativa na maioria dos casos.
  • A progressão no PLE é lenta e às vezes difícil. Depende de critérios culturais e contextuais, mas também da curva de progressão, o que significa que cada aluno experimentará fases de regressão. O professor deve encorajar o aluno e corrigir os seus erros de maneira inteligente.
  • Ensinar a língua portuguesa a alunos de diferentes idiomas e culturas é bem diferente de ensinar para brasileiros no ensino fundamental e no ensino médio. Ou a portugueses no ensino básico e secundário! Trata-se de ensinar uma língua para que o aluno se integre rapidamente no país. Esta não é uma aula de alfabetização, os alunos já falam uma língua. E muito menos é um curso de inglês universitário.

Por fim: descubra como trabalhar no Brasil ou em Portugal!

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Ricardo

Marketeer. Professor. Country Manager. Redator. Dedicação a 200% em tudo o que me comprometo ao longo da minha vida. Adoro as diferentes personalidades existentes em ambiente profissional e social. Em constante transformação. Escrevo para partilhar o meu conhecimento e entusiasmo aos leitores que queiram ver respondidas as suas questões ou aprofundar algum tema.