Beethoven, Brahms, Haendel, Schubert, Chopin, Berlioz... É fácil nomear grandes compositores! Mas já é um pouco mais complicado quando tenta listar os nomes dos grandes violinistas.
Seja um Maestro, solista ou membro de orquesta, muitos músicos provaram ser muito talentosos no violino ao longo da evolução da música. E é provável que conheça alguns destes nomes!
Para o ajudar, compilamos a nossa lista com dos violinistas famosos e notáveis da história da música, desde as tendências românticas, barrocas às clássicas. Tudo o que precisa para ficar a conhecer a fundo a trajetória do violino!
Uma breve história do violino
Ao ouvirmos uma música, as melodias de um violino são facilmente distinguidas entre as restantes. A maestria do violino, ao reger composições, apresenta sempre um toque artístico, poético, clássico e dramático, que desperta vários emoções em quem ouve os seus arranjos.
A palavra violino tem origem no latim vitula, que significa "instrumento de cordas".
Durante toda a sua história, o violino teve que passar por muitas adaptações até chegar ao que conhecemos hoje em dia. E embora não existam registos históricos que datem com exatidão a sua origem, o violino herdou a sua essência lírica de instrumentos parentes originários, como a Rabeca do Oriente Médio, o Fiddle renascentista e a Lira da Braccio. Mas ainda que a sua origem exata seja imprecisa, devido a todos os processos de produção e desenvolvimento que se alastraram a partir do século XVI entre os fabricantes artesãos, existem alguns registos que podemos utilizar.
O seu registro mais antigo provém da cidade de Füssen, na Alemanha, quando o luthier (o artesão que fabrica o instrumento) Gasparo Duiffopruggar elaborou as primeiras adaptações e a junção de características de outros instrumentos anteriores, alterando o seu design e o aproximando-o ao que conhecemos hoje em dia.
No entanto, foi no norte de Itália que a produção de violino ganhou notoriedade, na cidade de Cremona o berço de várias famílias tradicionais de luthiers, como os Amati, Guarneri e Stradivari! Durante vários séculos estas famílias foram as responsáveis pelo fabrico dos melhores violinos criados até então. Transferiam conhecimentos e técnicas de geração em geração, preservando a identidade original dos processos de manufatura do violino que cada família priorizava.

Ainda hoje a cidade de Cremona é reconhecida pelo marcante legado deixado pelas famílias de luthiers que lá residiram. O Museo do Palazzo Communale na cidade, possui exibições com violinos (alguns com mais de 400 anos!) e abriga os místicos registos dos grandes luthiers, como Nicolo Amati, Andrea Guarneri, Giambattista Rogeri, Francisco Ruggieri, Paolo Grancino e Antonio Stradivari. Hoje em dia, os instrumentos criados por estes luthiers de renome alcançam valores inestimáveis, estratosféricos, precisamente por terem toda essa exímia qualidade, além da inegável bagagem histórica, cultural e artística.
Arcabouço de muitas variações sonoras, o violino oferece na sua interpretação de composições algo de subjetivo que captura o ouvinte, emocionando-o de diversas formas. O som emitido é único, o que torna o instrumento uma verdadeira obra-prima de identidade. Isto demonstra a habilidade surpreendente dos luthiers, atentos a cada detalhe, utilizando diferentes técnicas de construção, elaboração e montagem do instrumento. O resultado engloba diversos processos de produção que trazem em si mesmos a síntese da originalidade de cada luthier, tornando o violino um instrumento excecional.
Antonio Stradivari: um dos mais notáveis luthiers da história
Como já mencionamos, os violinos das famílias italianas de luthiers, os Guarneri, Amati e Stradivarius são considerados os mais notáveis já fabricados, e estes últimos o mais notórios e lendários de todos. Entre os diversos processos de produção, uma das contribuições mais surpreendentes vem de Antonio Stradivari.

Este artista foi responsável pelo fabrico de mais de mil instrumentos, entre eles, os lendários Stradivarius: inigualáveis pela sua excelência em qualidade sonora, rodeada de mistérios até os dias de hoje.
Atualmente, ainda existem 650 exemplares! O violino mais famoso, o Messias, é considerado por muitos estudiosos como o melhor violino de toda a história, nunca foi vendido. Atualmente, pode ser encontrado no Ashmoleam Museum, no salão de música Hill, em Oxford, Inglaterra.
Cerca de 350 anos após a morte de Stradivari, nenhum outro luthier até o momento foi capaz de elaborar e produzir um violino que alcance a qualidade dos Stradivarius. O seu som cristalino, que atinge notas em frequências inalcançáveis pelos outros modelos, deixa um mistério que intriga os amantes da arte. Acredita-se que uma das razões deve-se ao facto de terem sido fabricados utilizando a proporção áurea, que é uma lei universal de crescimento presente inúmeras vezes na natureza e até no ser humano. Outras razões de tamanha notoriedade podem ser encontradas no acabamento e na qualidade sem par da madeira usada.
O violino foi muito utilizado após o século XVI, e vários músicos e compositores de qualidade fizeram uso dos recursos surpreendentes deste instrumento.
A sua originalidade e sutileza são estudados com afinco até hoje. Muitos estudiosos e luthiers debruçam-se à procura de uma razão que explique a essência mágica e surpreendente que emana dos arranjos musicais de um Stradivarius. E temos a certeza que as suas contribuições significativas continuarão a inspirar, surpreender, deleitar e influenciar muitos luthiers e estudantes de violino, ecoando pela eternidade no mundo da música.
O início do violino com Monteverdi
Claudio Monteverdi (1567-1643) é o primeiro grande violinista da história do instrumento. Nascido em Cremona, cidade tão essencial para a história e evolução do violino, o jovem Claudio foi logo treinado nos conceitos de música mais essenciais. Embora não exista nenhuma fonte que o possa comprovar, é provável que o músico tenha sido treinado por Marc'Antonio Ingegneri, então músico da catedral da cidade.
O instrumento deve muito do seu sucesso às obras de Monteverdi. É notavelmente na ópera Orfeu que o violino encontra o seu tom de nobreza e ganha o reconhecimento das altas classes. Até então usado nos grupos musicais populares, torna-se um instrumento com renome. Algumas das principais peças de Monteverdi são:
- Orfeu (1607);
- O Retorno de Ulisses à Pátria (1640);
- A Coroação de Popeia (1643).

Também outros compositores deixaram a sua marca no século XVI. Com o nascimento do instrumento, compositores como Salomone Rossi não hesitaram em usar "a pequena viola" nas suas canções.
Jean-Baptiste Lully e o século real
Jean-Baptiste Lully (1632-1687) é um dos maiores compositores franceses da história da música e foi o músico oficial de Luís XIV desde 1653. Este francês de origem italiana era violinista e dançarino profissional.
Começou o seu percurso com Mademoiselle de Montpensier e foi rapidamente notado pelo rei, que o nomeia superintendente e compositor de câmara. Criou a banda Les Petits Violons (Os Pequenos Violinos, em francês) e inventa em 1661, juntamente com Molière, a Comédia-Balé, um género dramático, cenográfico e musical. A sua função era compor as músicas que acompanham diversas das peças de Molière, como O Burguês Gentil e George Dandin.
Segundo alguns estudiosos, o próprio Lully tocou alguns dos solos durante a apresentação dos trabalhos. Utilizava o violino no ombro para facilitar os seus passos de dança. Algumas das suas obras principais são:
- O burguês Gentil (1670);
- Atys, (1676);
- Te Deum (1677).
É claro que o século XVII não termina com o Jean-Baptiste Lully. Embora este ocupe muito espaço na história do violino, também devemos lembrar o italiano Arcangelo Corelli ou o inglês Henry Purcell. E estes são só alguns dos nomes indispensáveis que aprenderá logo nas suas aulas de violino para iniciantes!
Século XVIII: a influência de Vivaldi
O século XVIII foi marcado pelo famoso Antonio Vivaldi (1678-1741) e a sua música barroca. No entanto, é uma carreira muito diferente que o jovem Vilvaldi abraça nos seus primeiros anos, o sacerdócio. Depois de ser ordenado em 1703, o jovem padre teve de deixar a batina por motivos de saúde.
Rodeado pela música desde cedo, graças a um progenitor violonista, decide tornar-se mestre do violino e compositor no Conservatório Italiano. E foi lá que escreveu algumas das suas melhores peças. Algumas das principais obras de Vivaldi para colocar na sua playlist são:
- La Stravaganza (1712);
- As Quatro Estações (1725);
- Orlando Furioso (1727).
Mozart: o génio do século XVIII
Embalado por uma família de músicos, Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) aprendeu música muito cedo. Um artista verdadeiramente talentoso, compôs as suas primeiras peças aos quatro anos de idade. E embora sela conhecido pelas suas importantes peças de piano, o músico não escapou da influência do seu pai, que era professor de violino. É, por esse motivo, que o ilustre pianista incorpora partes de violinos na maioria das suas obras. Algumas das principais peças de Mozart que qualquer violinista deve conhecer são:
- Concerto para Violino e Orquestra Nº 5 (1775);
- Requiem (1791);
- A Flauta Mágica (1791).
Para ser um grande músico, é necessário ter repertório e conhecer a história da música, para compreender os diferentes estilos.
Música romântica e os violinistas do século XIX
Foi aos 5 anos que Niccolo Paganini (1782-1840) descobriu o violino. Como uma verdadeira estrela da música, o italiano revolucionou o instrumento e a forma de o tocar, e foi esta técnica que lhe trouxe o sucesso. Os espectadores acompanhavam-no de forma muito animada durante os concertos.
O seu carisma e vício em jogos de azar renderam-lhe a suspeita de fazer um "pacto com o diabo". E devido a esse boato, a Igreja recusou-se a realizar o seu enterro como uma pessoa religiosa.
Segundo algumas fontes, Niccolo Paganini devia o seu talento a uma habilidade particular, a de estender os dedos para além do normal. Independentemente do motivo, o seu sucesso era internacional e o músico viajava de capital a capital para agradar a um público muito exigente.
As principais peças produzidas por Paganini são:
- Duetto amoroso (1807);
- Concerto Nº 1 (1816);
- 24 Capriccio, para violino solo (1817).
O século XIX foi marcado principalmente pela música romântica, onde a expressão dos sentimentos ocupava um lugar muito importante.
O sucesso dos violinistas do século XX
O belga Eugène Ysaye (1858-1931) aprendeu violino graças ao seu próprio pai, que era músico. Para ajudar a sua família, o jovem artista tocava na saída das igrejas. Quando teve a oportunidade de integrar num Conservatório, desenvolveu a sua técnica e tornou-se um grande violinista. Foi um dos violinistas mais influentes do século XX e é regularmente fonte de inspiração para as gerações mais recentes.
O ucraniano David Oistrakh (1908-1974) foi outro dos músicos que ingressou na arte por incentivo dos pais. Com um progenitor cantor de ópera, David Oistrakh começou a tocar violino aos cinco anos de idade. Depois de ter feito uma primeira tour na Ucrânia, a sua carreira explodiu. Teve o privilégio de ser autorizado pelo governo soviético a ir ao Ocidente para alguns espetáculos, algo que era bastante raro na época.

Yehudi Menuhin (1916-1999) não é apenas um violinista. Um verdadeiro artista, durante a Segunda Guerra Mundial tocou mais de 500 concertos em apoio aos Aliados. Uma estrela desde os seus 10 anos, o jovem já estava habituado a tours internacionais. Ao longo da sua grande carreira, Yehudi Menuhin apoiou outros artistas de regimes totalitários e foi nomeado presidente do Conselho Internacional de Música da UNESCO nos anos 70!
Isaac Stern (1920-2001) iniciou-se no violino aos 8 anos, poucos depois de chegar aos Estados Unidos.
Com origem da Ucrânia, Isaac Stern juntou-se à Orquestra Sinfónica de São Francisco antes de se juntar à Filarmónica de Nova York. O Le Parisien descreveu-o numa das suas edições da época como um "mágico do violino, um daqueles artistas que podem extrair com um instrumento a alma da música, um dos maiores músicos do século XX."
Heifetz Jascha Heifetz (1901-1987) foi um violinista russo naturalizado americano, depois da Revolução Russa de 1917. Mas foi mesmo na Rússia, alguns anos antes, que o pai lhe ensinou violino, quando ainda era bastante jovem. Estudou na Academia Real de Música de Vilnius, hoje a capital da Lituânia, e no Conservatório de São Petersburgo. Depois de chegar aos Estados Unidos com a sua família, o músico continuou o seu percurso excecional no novo continente.
Conheça também algumas das nossas sugestões de músicas para os aprendizes praticarem!
Os jovens prodígios violinistas de hoje
Os grandes violinistas famosos do passado também inspiraram toda uma nova geração de músicos talentosos. Alguns já deixaram a sua marca e continuam a construir grandes carreiras.
Nascido na Arménia em 1966, Samvel Yervinyan mostra, desde os 7 anos, uma grande inclinação para o violino. Viaja pelo mundo para partilhar o seu talento no palco e a Federação Americana de Músicos descreve-o como um violinista de extraordinária habilidade, como demonstrado por uma aclamação internacional.
Como um entusiasta da música erudita, é provável que já conheça a franco-suíça Camille Berthollet. Com apenas 16 anos, ganhou um concurso de música clássica que a impulsionou para a frente dos palcos. Posteriormente, a jovem artista vendeu mais de 100.000 cópias do seu álbum!
E as maravilhas musicais não param por aí! Nascido em 2001, o sueco Daniel Lozakovich foi rapidamente descoberto pela comunidade musical. Membro da Orquestra de Câmara de Moscovo desde muito cedo, o músico mostra o domínio perfeito das maiores peças da história da música. De Beethoven a Bach, passando por Vivaldi ou Tchaikovsky, nada resiste ao jovem.
Mas o violino não é apenas sinónimo de música erudita. Uma estrela internacional é agora reconhecida pelo seu talento como violinista, a norte-americana Lindsey Stirling. É conhecida pelas suas covers de música pop, como a banda sonora original de Zelda e versões de músicas da cantora Rihanna, mas também tem composições originais. Basta procurar no YouTube para encontrar várias das suas apresentações tão interessantes.
Como iniciar o estudo do violino?
Além da vontade e determinação, iniciar os estudos em violino pode ser mais fácil do que parece, desde que pesquise de antemão todos os seguintes passos básicos.
Adquira o equipamento
O equipamento básico é apenas: o violino (instrumento em si), arco de violino, estojo de transporte, breu para o arco, almofada (descanso para ombro), estante de partituras, métodos e partituras.
Pode parecer muita coisa para começar, mas pensa nesta aquisição como um investimento. A escolha do instrumento certo deve ser bem planeada, de acordo com os seus objetivos específicos. Como qualquer investimento, a compra pode trazer riscos. Se adquirir um violino muito barato, pode correr o risco de ter pouca qualidade, possa partir rápido ou ter todo o tipo de problemas.
Lembre-se que muitas vezes os custos de reparação são mais onerosos que os do próprio instrumento.
Por outro lado, caso adquira um violino com preço elevado, existe o risco de desistir a meio do caminho e terá a dor de cabeça de ter que o vender, de preferência sem perder dinheiro, o que é pouco comum.
Além do equipamento, é essencial que se crie um ambiente estimulante, que seja confortável para o aluno e bem iluminado. Um local que possa ser um refúgio onde se concentre e se dedique apenas aos seus estudos. Estude em pé na maior parte do tempo e, se se quiser sentar, utilize uma cadeira confortável, sem braços, e sem rodinhas, ou que as mesmas estejam travadas. Nada de se distrair durante a prática!
Aprenda cuidados básicos com o violino e arco
Agora que já se certificou que possui todos os itens para iniciar, o passo seguinte é estar ciente dos cuidados necessários com o instrumento e o seu arco, porque são itens que podem ser facilmente danificados. Além disso, conhecer cada peça do violino e os cuidados com cada uma garante maior longevidade ao mesmo.
Acima de tudo, tenha muito cuidado! O violino e arco são peças frágeis. Evite bater, pegar com as mãos sujas, encostar ou sujar as crinas do arco. Não faça movimentos bruscos e mantenha tudo bem limpo. Guarde sempre o seu violino no estojo quando não for praticar, nunca o deixe "apanhar ar" por aí. A exposição à humidade pode causar descolagens, deformações, perda de som e até mesmo fungos.
Procure por um bom professor
Uma coisa muito importante que deve entender: não existe autodidata no violino. Até pode aprender a tocar algumas músicas sozinho, mas provavelmente irá ganhar muitos vícios e vai chegar a um momento em que ficará totalmente limitado tecnicamente devido à má aprendizagem, acredite. O estudo do violino é repleto de detalhes e todos são fundamentais para o bom desenvolvimento e evolução musical.

É o professor, um profissional experiente, que irá orientar em relação ao estudo. Neste sentido, o professor define a competência do aluno, discute com ele os seus objetivos e constrói um cronograma de aprendizagem específico, personalizado, para cada aprendiz. Isto acelera a aprendizagem, evita desvios e aumenta a segurança e autoestima do iniciante.
E, felizmente, hoje em dia temos uma enorme facilidade de acesso a aulas de música e de violino. Pode procurar por aulas online gratuitas para iniciantes, cursos online e até aulas dadas em organizações públicas ou associações culturais locais. Várias instituições deste tipo oferecem opções de aulas com qualidade e bom conteúdo.
Na nossa opinião, nada substitui o processo de troca de conteúdo estabelecido entre professor e aluno, por isso recomendamos sempre que possível por aulas particulares. A nossa comunidade Superprof contribui nesse sentido, já que através dela é possível encontrar um bom profissional na sua região. E dar início ao estudo!
Já conhece o violino elétrico?
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