A aprendizagem é como o horizonte: não há limites.

Provérbio chinês

O interesse pela língua e cultura chinesas tem crescido de forma expressiva em Portugal nos últimos anos, acompanhando a maior presença económica e diplomática da China no panorama internacional. Para quem quer transformar esse interesse numa formação académica sólida, existe um conjunto de opções disponíveis no ensino superior português que vale a pena conhecer em detalhe.

Se está a considerar fazer uma licenciatura em chinês, deve conhecer as universidades que oferecem este curso, os requisitos de admissão e as oportunidades de carreira disponíveis após o terminar. Este artigo fornece uma visão abrangente para o ajudar a tomar uma decisão informada.

De forma simplificada, as instituições em Portugal onde pode fazer um curso de chinês são:

Universidade do Minho

Universidade de Coimbra

Universidade do Porto

Mas vamos ver com mais detalhe a oferta formativa, o processo de candidatura ao ensino superior, a estrutura curricular típica destes cursos e as saídas profissionais mais relevantes!

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Universidades em Portugal com cursos de letras em chinês

Portugal não tem uma oferta vastíssima de licenciaturas dedicadas ao estudo da língua e cultura chinesas, mas as instituições que apostam nesta área fazem-no com qualidade e com ligações internacionais que enriquecem a formação.

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Considere todos os fatores

A escolha da universidade deve ter em conta não só a localização geográfica, mas também o perfil do curso, as parcerias com universidades chinesas e a rede de apoio ao estudante.

Universidade do Minho

A Universidade do Minho (UMinho), em Braga, é uma das instituições mais relevantes nesta área, com a sua licenciatura em Estudos Orientais, com especialização em Estudos Chineses e Japoneses1. Trata-se de um curso que combina o desenvolvimento de competências linguísticas avançadas com uma formação aprofundada nos contextos históricos, filosóficos e culturais da Ásia Oriental. Os alunos trabalham em paralelo os dois idiomas desde o início, o que permite uma perspetiva comparada bastante enriquecedora.

O curso tem uma forte componente prática na aprendizagem de idiomas, com recurso a metodologias comunicativas e a materiais autênticos. A UMinho mantém protocolos de cooperação com várias universidades chinesas e taiwanesas, o que abre a possibilidade de períodos de estudo no estrangeiro ao longo da licenciatura.

fotografia da universidade de Coimbra
Se quer saber onde estudar chinês na universidade, estas são as melhores opções. | Fonte: Pexels

O campus de Braga oferece ainda um ambiente universitário dinâmico, com associações de estudantes e grupos culturais que animam a vida académica e criam espaços informais de prática linguística e cultural. Para quem procura um curso totalmente orientado para a Ásia, este é uma das opções mais completas.

Universidade de Coimbra

A Universidade de Coimbra (UC) possui um Instituto Confúcio2 que desempenha um papel importante na promoção da língua e cultura chinesas na região centro do país. O instituto tem cursos de língua chinesa de vários níveis, desde a iniciação até níveis mais avançados, e organiza regularmente atividades culturais, conferências e programas de intercâmbio com instituições da República Popular da China.

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Não fica a perder

Embora a oferta de uma licenciatura autónoma em chinês seja mais limitada do que noutras instituições, o peso académico e a reputação internacional da UC conferem um valor acrescido a qualquer certificação obtida neste contexto.

No âmbito da Faculdade de Letras, existem também unidades curriculares e percursos formativos que permitem integrar o estudo do chinês numa formação de base em línguas, literaturas ou estudos asiáticos. Os alunos que escolhem Coimbra beneficiam ainda de um ambiente universitário rico em tradição e de uma rede de alumni com expressão global.

Universidade do Porto

O Instituto Confúcio da Universidade do Porto (UP) é um polo de referência no ensino do chinês no norte do país.

foto a preto e branco da FLUP

Com uma oferta estruturada em vários níveis de proficiência, o instituto serve tanto estudantes universitários como profissionais que pretendem adquirir competências linguísticas para fins específicos. As opções abrangem desde a introdução ao mandarim padrão até programas de preparação para os exames internacionais de certificação de proficiência, designadamente o HSK (Hanyu Shuiping Kaoshi).

Para além dos cursos de língua, o Instituto Confúcio do Porto3 organiza programas culturais, workshops de caligrafia, cinema e gastronomia chinesa, criando um ambiente de imersão cultural que complementa a aprendizagem formal.

A UP também tem acordos com universidades chinesas que permitem aos seus alunos realizar períodos de mobilidade na China, uma experiência que os empregadores valorizam cada vez mais, quando recrutam profissionais com competências neste idioma.

Também pode aprender mandarim de forma autónoma!

Processo de admissão nas faculdades de letras para cursos de chinês

Candidatar-se a uma licenciatura implica conhecer bem as regras do concurso nacional de acesso ao ensino superior, que é o principal mecanismo de entrada nas universidades públicas. O processo tem características específicas que variam consoante o curso e a instituição, pelo que convém preparar a candidatura com antecedência e atenção ao detalhe.

Em termos gerais, o calendário de candidatura decorre durante o verão, com os resultados dos exames nacionais a servirem de base à seriação dos candidatos. Os prazos para se candidatar, as médias das notas e as vagas disponíveis são publicados anualmente pela Direção-Geral do Ensino Superior, e é fundamental acompanhar esta informação de perto, uma vez que pode variar de forma significativa de um ano para o outro.

Requisitos de entrada

Os requisitos de entrada para licenciaturas na área de letras e línguas são, na generalidade, iguais aos de outros cursos das ciências humanas e sociais. A nota mínima de candidatura varia de ano para ano em função da procura e da oferta de vagas, mas os valores que permitem o acesso são de candidatos com percursos académicos sólidos no secundário.

Para a candidatura, é necessário:

ter concluído o ensino secundário ou equivalente

ter realizado as provas de ingresso pedidas

satisfazer os pré-requisitos estabelecidos por cada instituição

A nota de candidatura é calculada a partir de uma combinação entre a classificação interna do ensino secundário (no mínimo 40%) e as notas das provas de ingresso.

A partir deste ano, as provas de ingresso valem, no mínimo,
45%

Cada universidade define a fórmula de cálculo específica, por isso, é importante verificar a informação de cada instituição antes de formalizar a candidatura.

Provas de acesso

As provas de acesso exigidas para os cursos de letras e línguas variam consoante a instituição e o curso específico. De forma geral, as formações orientadas para idiomas e humanidades tendem a requerer uma das seguintes provas ou combinações:

  • Português (prova 639), que é quase sempre obrigatória para licenciaturas da área de letras;
  • História ou geografia, consoante o percurso do candidato no ensino secundário;
  • Língua estrangeira (inglês, francês, espanhol ou outra), em áreas com forte componente linguística.

É essencial verificar no portal da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES) quais são as provas específicas exigidas para o curso pretendido, uma vez que as combinações admissíveis podem mudar de ano para ano.

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Não esquecer!

A consulta do regulamento de acesso de cada universidade é igualmente indispensável, porque algumas instituições têm requisitos adicionais ou fórmulas de cálculo diferenciadas que podem influenciar a estratégia de candidatura.

Nível de proficiência em chinês exigido

Uma dúvida frequente entre os candidatos a licenciaturas em estudos chineses é a de saber se é necessário dominar a língua antes de entrar. A resposta, na generalidade dos casos, é negativa: os cursos são estruturados de modo a começar pelo nível de iniciação, partindo do princípio de que os alunos chegam sem conhecimentos prévios de mandarim.

Esta opção pedagógica tem uma lógica clara, porque o mandarim é uma língua tonalmente complexa e com um sistema de escrita muito diferente do alfabeto latino, o que torna difícil (e por vezes contraproducente) a aprendizagem autodidata antes da entrada no ensino superior.

No entanto, candidatos que já possuam alguma base no idioma, obtida em aulas extracurriculares, num Instituto Confúcio ou através de uma herança familiar, terão naturalmente uma vantagem nos primeiros semestres.

Não existe, portanto, uma prova de proficiência em chinês como requisito de admissão. O que se avalia no processo de candidatura é o perfil académico geral do estudante, a sua capacidade de trabalho em contextos humanísticos e o seu interesse genuíno pela área.

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Nada de desculpas

Quem chega motivado e com hábitos de estudo consolidados estará bem posicionado para acompanhar o ritmo exigente que a aprendizagem do mandarim implica, independentemente dos conhecimentos prévios que possua!

Saiba quais são os melhores dicionários de chinês-português.

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Estrutura curricular dos cursos de chinês

A organização do plano de estudo de uma licenciatura em estudos chineses reflete a necessidade de combinar uma aprendizagem linguística intensiva com uma formação cultural e histórica abrangente. Ao longo dos três anos (seis semestres) que compõem a maioria destas licenciaturas, os alunos desenvolvem competências em várias dimensões complementares que os preparam:

para a continuação de estudos ao nível do mestrado

para a entrada direta no mercado de trabalho

A carga horária dedicada à língua é elevada, devido à complexidade do mandarim, mas é equilibrada por unidades de carácter mais reflexivo e interpretativo, que desenvolvem o pensamento crítico e a capacidade de análise contextual.

Disciplinas principais

O núcleo central do plano de estudo é ocupado pelas unidades curriculares de língua chinesa, que acompanham o estudante durante toda a licenciatura e progridem de forma sistemática desde os fundamentos fonéticos e gráficos até à leitura e produção de textos de complexidade elevada.

A aprendizagem do sistema de escrita, com os seus milhares de caracteres, exige dedicação e prática regular, e os planos de estudo são concebidos para garantir uma exposição gradual e consistente. Para além da língua, os currículos incluem tipicamente unidades nas seguintes áreas:

História da China, desde a Antiguidade até à contemporaneidade, com ênfase nos períodos de maior impacto na configuração do mundo atual;
Literatura e pensamento chineses, incluindo textos clássicos e produções contemporâneas, abordados tanto no original como em tradução;
Filosofia e religiões da Ásia Oriental, com atenção ao confucionismo, ao taoismo e ao budismo enquanto sistemas de pensamento com repercussões até hoje;
Política e economia chinesas, que ganham cada vez mais espaço nos currículos em resposta à crescente relevância geopolítica e económica da China;
Estudos culturais comparados, que situam a China num contexto mais amplo de relações com o mundo e, em particular, com a língua portuguesa e a lusofonia.

Esta combinação de língua, história, literatura e contexto contemporâneo confere aos licenciados uma perspetiva multidimensional que vai muito além da simples competência comunicativa.

Atividades extracurriculares e intercâmbios

Um dos aspetos mais distintivos das licenciaturas em estudos orientais é a riqueza das oportunidades extracurriculares que as instituições disponibilizam.

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Sabia que?

Os programas de intercâmbio com universidades na China Continental, em Taiwan, em Hong Kong ou em Macau permitem aos alunos realizar um ou dois semestres em imersão total, o que representa um salto qualitativo enorme no domínio da língua e na compreensão da cultura local.

Além dos intercâmbios formais ao abrigo do programa Erasmus+ e de acordos bilaterais, as universidades organizam com frequência semanas culturais, sessões de cinema, exposições de arte, palestras com convidados especialistas e atividades de caligrafia ou culinária que aprofundam o contacto com a civilização chinesa de forma lúdica e envolvente.

A participação ativa nestas iniciativas é altamente recomendada, porque enriquece o percurso académico e contribui para a construção de uma rede de contactos que pode revelar-se valiosa no futuro profissional.

mulher com mão no cabelo e outra em livro aberto

A preparação e realização dos exames de certificação de proficiência HSK é outro elemento que muitos alunos integram no seu percurso extracurricular. Embora não seja obrigatória para a conclusão da licenciatura, a obtenção de uma certificação HSK reconhecida internacionalmente valoriza significativamente o currículo e demonstra a proficiência linguística a potenciais empregadores de forma objetiva e credível. Os níveis do HSK vão do 1 (básico) ao 6 (avançado), e atingir o nível 4 ou superior durante a licenciatura é um objetivo realista que muitos estudantes comprometidos conseguem alcançar.

Perspetivas de carreira

O mercado de trabalho para licenciados em estudos chineses tem crescido de forma consistente, acompanhando a expansão das relações económicas e culturais entre Portugal, a Europa e a China. Embora o percurso profissional de cada graduado dependa sempre da sua capacidade de conjugar as competências adquiridas com iniciativa e flexibilidade, existem áreas de atuação com procura real e perspetivas de crescimento interessantes.

É também comum que os licenciados prossigam o estudo num mestrado ou doutoramento, seja em Portugal seja no estrangeiro, aprofundando a especialização numa área específica como a linguística, os estudos literários, a história ou a economia chinesa.

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Considere a hipótese

A continuação académica abre portas a carreiras na investigação, no ensino universitário e em organismos internacionais de prestígio.

Ensino e tradução

O ensino do mandarim como língua estrangeira é uma das saídas profissionais mais imediatas para os licenciados em estudos chineses, especialmente para quem completa depois uma pós-graduação em educação ou obtém habilitações para a docência.

A crescente presença de cidadãos de origem chinesa em Portugal, a par do interesse de empresas e instituições em oferecer formação em chinês aos seus colaboradores, cria uma procura real que não é totalmente satisfeita pela oferta existente. Os próprios Institutos Confúcio das universidades portuguesas são espaços de emprego para docentes de chinês com formação académica e experiência pedagógica.

A tradução e interpretação são outra via profissional com grande expressão. A escassez de tradutores verdadeiramente proficientes em pares de idiomas como o português-mandarim é notória, o que valoriza quem tem formação académica sólida em ambas as línguas. As áreas de maior procura incluem:

  • a tradução jurídica e comercial;
  • a interpretação em contextos diplomáticos e empresariais;
  • a localização de conteúdos digitais para mercados de língua chinesa ou portuguesa.

Com a expansão das plataformas digitais e do comércio eletrónico transfronteiriço, a procura de profissionais nesta área tem aumentado de forma assinalável.

Relações internacionais e comércio exterior

A internacionalização das empresas portuguesas para mercados asiáticos e a crescente presença de investimento chinês em Portugal criam um contexto favorável para profissionais que combinam competências linguísticas com conhecimento cultural e económico da China.

Empresas dos setores da tecnologia, da agroindústria, do turismo, da energia e da construção têm procurado cada vez mais colaboradores com este perfil para funções de desenvolvimento de negócio, gestão de parcerias e comunicação institucional. A capacidade de negociar diretamente em mandarim, sem necessidade de intermediários, é uma vantagem competitiva que se traduz frequentemente em progressão de carreira mais rápida e em responsabilidades acrescidas dentro das organizações.

No plano das relações internacionais em sentido mais estrito, as organizações governamentais, as embaixadas, as câmaras de comércio e as organizações internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU) ou a União Europeia oferecem oportunidades a quem complementa a licenciatura com uma pós-graduação em:

relações internacionais

direito internacional

política comparada

O conhecimento do mandarim é, nestes contextos, uma vantagem competitiva considerável que diferencia os candidatos num mercado de trabalho exigente. Portugal, enquanto país com uma longa tradição de projeção internacional e com relações históricas com territórios de língua portuguesa na Ásia (como Macau), está numa posição singular para formar diplomatas e analistas com este perfil.

Turismo e cultura

O turismo é um setor onde a procura de profissionais com competências em chinês tem crescido de forma particularmente visível. A chegada de turistas chineses à Europa, incluindo a Portugal, aumentou significativamente na última década e as agências de viagem, os hotéis de luxo, os museus e os operadores turísticos valorizam colaboradores capazes de comunicar diretamente com este segmento de visitantes.

aluna com caneta na boca sentada em frente a um computador

A capacidade de acompanhar grupos, de traduzir informação histórica e cultural em tempo real e de gerir as expectativas de turistas com padrões de serviço muito específicos é uma competência escassa que o mercado remunera bem.

No domínio cultural, existem oportunidades em instituições como museus, fundações, centros culturais, editoras e festivais que trabalham com conteúdos ou públicos de expressão chinesa.

A diplomacia cultural, que envolve a promoção de intercâmbios artísticos e académicos entre países, é também uma área onde licenciados em estudos chineses encontram espaço de atuação, nomeadamente em estruturas como a Fundação Calouste Gulbenkian, o Camões (Instituto da Cooperação e da Língua) ou os Institutos Confúcio presentes nas universidades portuguesas.

Resumindo, a licenciatura em chinês em Portugal abre portas a um leque de percursos profissionais mais amplo do que à partida se poderia supor. A chave está em combinar as competências linguísticas e culturais adquiridas com uma visão clara do setor onde se pretende atuar, com a disposição para continuar a aprender e a adaptar-se.

E sempre com a consciência de que o mandarim é, no século XXI, uma das línguas mais estratégicas que alguém pode dominar. Investir neste idioma é, em muitos sentidos, investir numa carreira com projeção internacional e com capacidade de crescimento a longo prazo!

Referências

  1. UMinho, Departamento de Estudos Asiáticos. Acesso realizado em 28 de maio de 2026 https://dea.ilch.uminho.pt/licenciaturas/
  2. Universidade de Coimbra, Instituto Confúcio. Acesso realizado em 28 de maio de 2026 https://www.uc.pt/instituto-confucio/
  3. Universidade do Porto, Instituto Confúcio. Acesso realizado em 28 de maio de 2026 https://www.up.pt/portal/pt/instituto-confucio/

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Louizy

Graduada em publicidade e especializada em Marketing. Adora ler e escrever sobre tudo e mais um pouco.

Catarina

Eterna otimista, com um bichinho por viajar. Apaixonada por literatura e ficção. Metro e meio de pessoa, vivo pelo lema "Though she be but little, she is fierce". Trabalho atualmente como tradutora e redatora freelancer.