Temos a melhor geração do ténis nacional.
Nuno Marques
Engane-se quem pensa que o nosso país é só futebol. Portugal tem produzido diversos talentos também no mundo do ténis, com jogadores que alcançaram posições de destaque no ranking ATP e deixaram a sua marca em competições internacionais.
Se já é amante desta modalidade desportiva há algum tempo, certamente que reconhece a maioria deles e será capaz de enumerar pelo menos alguns dos nomes nacionais que são famosos na modalidade. Mas se está agora a começar a sua viagem no mundo do ténis, é provável que reconheça mais facilmente os nomes das marcas de roupa e de sapatilhas que pode utilizar no treino do que os atletas que o antecedem.
Para ajudar todos esses novatos no desporto e quem simplesmente quiser saber mais sobre a modalidade, compilamos a nossa lista dos maiores nomes do ténis da história portuguesa, incluindo atletas que já não jogam e outros com futuros risonhos pela frente.
O que define um bom jogador de ténis?
Antes de passarmos para nomes concretos, talvez seja mais indicado começar por definir exatamente o que tem um atleta que permita que seja considerado o melhor na modalidade. No fundo, um bom jogador de tênis é definido por uma combinação de capacidades técnicas, físicas e mentais.

O que diz respeito às capacidades técnicas é muito simples, o tenista deve ser capaz de executar várias pancadas (como forehand ou backhand), bem como servir corretamente. Um bom atleta deve dominar uma variedade de pancadas diferentes e ser capaz de as executar com precisão e consistência. Mas isso não é suficiente!
Além disso, um bom jogador tem que possuir inteligência tática e ser capaz de ler o jogo, detetar as fraquezas do oponente e adaptar a sua estratégia quando for necessário. Isto inclui não só tomar decisões rápidas sobre o seu estilo a jogar, mas também alterar a forma onde e como bate a bola para ganhar vantagem tática.
É essencial que seja capaz de se adaptar às mudanças que o adversário fizer, mesmo que isso signifique ajustar a técnica, a sua estratégia de jogo ou até mesmo o ritmo emocional.
Não podemos deixar de referir a condição física. O ténis é um desporto exigente fisicamente e, para ser capaz de aguentar a duração de um jogo, um bom atleta deve ter uma boa resistência cardiovascular, bem como agilidade, força e flexibilidade. Uma boa condição física ajuda a que seja capaz de manter um alto nível de desempenho ao longo de partidas longas e intensas.
E, por último, tal como mencionamos a questão emocional, manter a cabeça fria é uma questão essencial. Os desportos de alta competição também são muito desafiadores a nível mental, e é necessário que os atletas sejam capazes de lidar com a pressão, manter-se focados e superar adversidades que possam surgir (incluindo lidar com erros e jogadas fracassadas sem perder a confiança), para nunca perderem a compostura em momentos cruciais do jogo.
Critérios para avaliar os melhores tenistas
Avaliar os melhores tenistas exige a definição clara de critérios objetivos e comparáveis, que permitam uma análise justa do desempenho ao longo do tempo. Um dos principais critérios utilizados é o ranking ATP, que reflete a consistência competitiva dos atletas em torneios oficiais, sendo atualizado regularmente com base em resultados concretos. Outro critério fundamental é o número e relevância dos títulos conquistados, incluindo Grand Slams, Masters 1000 e outras competições de alto nível, que demonstram a capacidade do tenista em competir e vencer nos momentos mais exigentes.
Para além dos resultados individuais, deve também ser considerado o impacto no desporto nacional, como a promoção do ténis em território lusitano, a inspiração de novas gerações e a contribuição para a visibilidade internacional da modalidade.
Este fator, embora menos quantificável, pode ser analisado através de dados como crescimento de praticantes, audiências e participação em competições por equipas.
A importância de uma abordagem objetiva e baseada em dados é central neste processo. Utilizar estatísticas fiáveis, históricos de desempenho e métricas comparáveis reduz a influência de preferências pessoais e garante avaliações mais rigorosas, transparentes e credíveis, fundamentais para reconhecer verdadeiramente a excelência no ténis.
Evolução do ténis em Portugal
Portugal tem vindo a ganhar destaque no cenário do ténis mundial nos últimos anos, especialmente com o surgimento de vários atletas talentosos. Embora ainda não sejamos considerados uma potência no circuito principal, temos vindo a fazer progressos notáveis e temos todo o potencial para continuar a crescer, principalmente se continuarmos a produzir tantos atletas talentosos e competitivos nas várias categorias.

A verdade é que, tendo em conta o tamanho do nosso território e a nossa história na modalidade, temos conseguido alcançar um bom destaque internacional. Até a própria infraestrutura tem vindo a melhorar e a desenvolver-se, com a construção de mais campos e a implementação de programas de desenvolvimento de jovens talentos.
Grande parte deste desenvolvimento e promoção do ténis em solo lusitano deve-se também à realização do Estoril Open, uma vez que a competição contribui bastante para aumentar o interesse pela modalidade na população portuguesa e funciona como uma plataforma para os atletas competirem ao mais alto nível. A competição portuguesa oferece-lhes uma oportunidade única de jogar em casa em frente aos seus apoiantes e competir contra alguns dos melhores do mundo.
Isso ajuda não apenas a motivar os tenistas locais, mas também a aumentar a visibilidade do ténis no país e inspira uma nova geração de talentos a se envolver no desporto. E como é um evento importante no calendário da modalidade, com cobertura dos meios de comunicação internacionais, atraí a atenção de fãs pelo mundo fora, promovendo o nosso país como um destino ideal para os atletas e amantes da modalidade e aumentando a conscientização sobre a modalidade nos portugueses.
Os principais tenistas portugueses e as suas conquistas
João Sousa
João Sousa é, talvez, o nome mais conhecido do ténis no nosso país. Nascido em 1989, o jogador vimaranense chegou à elite profissional em 2008 e, desde aí, tem vindo a colocar o nome do nosso país na história da modalidade. É, sem dúvida, um dos maiores tenistas portugueses de sempre.
Começou a sua carreira aos 15 anos, quando se mudou para Barcelona. Atingiu a sua posição mais alta no ranking ATP (28.º) em 2016, um lugar nunca antes atingido por um tenista português, não só em termos pessoais como também nacionais. Também é o detentor da melhor prestação em Grand Slam de sempre, ao chegar à terceira ronda nos:
US Open 2013
Open da Austrália 2015
Tem preferência por jogar em terra batida, o que o ajudou a vencer na competição do Estoril em 2018 e em Kuala Lumpur em 2013.
Rui Machado
Rui Machado foi uma figura importante no cenário do ténis nacional durante a sua carreira profissional. O atleta nasceu em 1984 e começou a mostrar talento no ténis desde cedo.
Competiu em diversos torneios do circuito principal e, mesmo sem ter conquistado qualquer título, teve diversas vitórias notáveis sobre atletas de alto nível! Em 2011 alcançou a sua posição mais alta, ao chegar ao número 59 do mundo.
Uma das suas maiores conquistas foi representar o país na Taça Davis. Depois de se reformar, continuou envolvido na modalidade como treinador, a trabalhar para desenvolver jovens talentos no país.
Frederico Gil
Apesar de ser um jogador veterano, Frederico Gil é um dos nomes incontornáveis no país, e ainda continua a contribuir para a história da modalidade. Nasceu em 1985 e começou a sua jornada profissional em 2003. Atingiu a posição mais alta no ranking ATP em 2011, ao alcançar o 62.º lugar, que era, na altura, o resultado mais alto de sempre (entretanto superado por Rui Machado e João Sousa).
Foi este feito que lhe permitiu entrar para a lista de melhores tenistas portugueses de sempre, mas alcançou vários resultados positivos ao longo da sua carreira profissional. No Estoril Open de 2010 alcançou a primeira final de sempre, chegou até à terceira ronda da competição da Austrália de 2012 e conseguiu o melhor resultado de sempre em Masters 1000, chegando aos quartos de final do torneio de Monte Carlo. Também competiu na vertente de veteranos.
Nuno Borges
Nuno Borges é uma das promessas emergentes do ténis português. Nascido em 1997, começou a jogar durante a universidade, enquanto estudava na Mississippi State University, nos Estados Unidos. Já durante estes quatro anos conseguiu ganhar vários prémios e era considerado um dos melhores jogadores universitários do país.
Depois de concluir os seus estudos universitário, começou a competir no circuito profissional, onde rapidamente mostrou o seu talento, conquistando vários títulos em competições de nível ITF (International Tennis Federation) e subindo de posição na leaderboard.
Com o seu talento, determinação e potencial de crescimento, é visto como um dos atletas nacionais mais promissores da atualidade e tem o potencial de alcançar sucesso no circuito profissional principal nos próximos anos. Principalmente porque, além da sua capacidade na modalidade de singulares, também compete em pares, numa verdadeira demonstração de versatilidade e domínio dos diferentes aspetos do jogo.
Os seus triunfos já dão que falar e em janeiro de 2024 tornou-se o primeiro tenista português a chegar aos oitavos de final de um Grand Slam no Open da Austrália!
Michelle Larcher de Brito
Michelle Larcher de Brito é talvez a maior tenista portuguesa de sempre. Nascida em 1993, emigrou bastante cedo para os Estados Unidos, para poder treinar na conceituada Nick Bollettieri Tennis Academy. Nada fazia prever que viesse a abandonar precocemente a sua carreira de jogadora (com apenas 25 anos), para se tornar treinadora, mas ainda assim conseguiu alcançar vários feitos.

A tenista provou diversas vezes durante o seu percurso profissional que consegue ombrear com as melhores, sobretudo em pisos relvados, a sua superfície de eleição. Em 2007 chegou à segunda ronda do prestigiado torneio de Miami e tornou-se a sétima atleta mais nova de sempre a ganhar um encontro de singulares no circuito WTA.
Ocupou a sua posição mais alta (o 76.º lugar) em 2009, com apenas 16 anos, tornando-se a primeira mulher portuguesa a fazê-lo.
É nos grandes palcos que se sente mais à vontade, sobretudo em Wimbledon, onde teve um dos pontos mais altos do seu curto percurso quando, em 2013, consegui a vitória sobre Maria Sharapova, a tenista europeia número três na altura. Já tinha chegado a essa fase de um Grand Slam em 2009, na terra batida de Roland Garros, com apenas 16 anos, mas esta foi certamente a vitória que deixou a sua marca na modalidade. Depois, em 2014, venceu ainda Ana Ivanovic, também em relva.
Com 25 anos, decidiu deixar de jogar profissionalmente e dedica-se agora à profissão de treinadora.
Nuno Marques
Este jogador foi um dos atletas que mais contribuiu para o desenvolvimento da modalidade no país e é considerado, por alguns, como o maior tenista português de todos os tempos. Foi campeão nacional de singulares quatro vezes e o primeiro atleta português a derrotar uma elite mundial, em 1988, quando derrotou o europeu Fernando Luna no Grand Prix.
Foi o primeiro jogador português a atingir o top 100, em 1995, onde chegou ao 86.º lugar (a sua maior classificação de sempre). É, ainda hoje, um dos quatro únicos atletas portugueses a figurar nessa mesma lista do ranking ATP. Também é o detentor da posição mais alta de sempre em pares no país, com o 58.º lugar, alcançado em 1997.

Fez parte da equipa portuguesa da taça Davis (a competição de seleções que se disputa anualmente) durante 17 anos, de 1986 a 2002, participou nos Jogos Olímpicos de Sydney e em 13 Grand Slam. E foi ainda capitão da seleção portuguesa!
Rui Machado
Este tenista foi um dos melhores portugueses na modalidade que há memória. Nascido em 1984, mudou-se cedo para Barcelona, para onde foi treinar e aperfeiçoar a sua técnica. O segundo maior classificado de sempre no ranking em termos nacionais (o 59.º lugar, alcançado em 2011) sempre se destacou pelas boas campanhas em escalões inferiores, tendo ganho variados títulos em Futures e em Challengers. No entanto, nunca passou dos quartos de final em torneios da categoria máxima do ténis profissional.
Merece a sua posição de destaque no topo dos tenistas portugueses por ter sido o primeiro português de sempre a entrar no top 60 e pela sua contribuição para o desenvolvimento da modalidade no país.
As suas superfícies preferidas eram o piso duro e a terra batida, sentindo-se totalmente em casa no Roland Garros. Durante os seus últimos anos como jogador presidiu a Associação de Jogadores de Ténis em Portugal (AJTP). Depois de terminar o seu percurso profissional, tornou-se coordenador técnico.
Sabe quem são os melhores tenistas internacionais?
Gastão Elias
O jogador da Lourinhã é o atleta com mais títulos individuais conquistados no ATP Challenger Tour. Conquistou o 103.º lugar em 2013, graças aos dois títulos consecutivos conquistados em Lima (Peru) e Guayaquil (Equador). Em 2016 atingiu o seu maior ranking de sempre, ao ficar colocado em 57.º lugar.
Em conjunto, joga pela equipa portuguesa da taça Davis desde 2007 e as suas contribuições para a modalidade permitem cimentar a sua posição como um dos melhores tenistas portugueses.
Maria João Koehler
Esta jogadora do Porto nunca conseguir entrar no top 100, mas esteve mesmo às portas da classificação, tendo conseguido alcançar o 102.º lugar, em 2012.
Começou a jogar ténis aos sete anos, porque queria poder jogar com os primos. Conquistou três títulos ITF, dois em 2009 e um em 2012. No mesmo ano, entrou na universidade, mas suspendeu o curso para seguir a carreira no ténis. Em 2013 foi classificada como a número dois portuguesa e como número 124 na WTA, e fazia parte da equipa portuguesa da Fed Cup.
No final de 2018, aos 26 anos, anunciou o seu final como atleta profissional. Afetada por várias lesões, que obrigaram a fazer quatro cirurgias diferentes (no pulso e joelho), impossibilitando-a de estar 100% até a treinar. Tornou-se treinadora e participa em competições esporádicas quando tem oportunidade.
Pedro Sousa
Pedro Sousa conseguiu entrar no topo do ranking ATP em 2019, quando alcançou o 99.º lugar, a sua maior posição de sempre. O tenista lisboeta está praticamente sempre presente nos eventos de qualificação para as competições principais, mas raramente conseguiu chegar às rondas principais, acabando por desenvolver o seu percurso maioritariamente a nível de Challengers, onde acumulou 8 vitórias.

No entanto, chegou à final de uma competição principal, em 2021 conseguiu qualificar-se para os Jogos Olímpicos de Tóquio e em 2022 conquistou a sua primeira vitória da carreira no US Open.
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João Cunha e Silva
Este tenista português destacou-se maioritariamente em pares, onde conquistou dois títulos ATP:
em 1992
em 1997
Alcançou em 1989 a sua melhor classificação, o 72.º lugar. Nunca conseguiu a mesma notoriedade a solo, tendo como maior classificação o 108.º lugar, alcançado em 1991, e nenhum título principal nesta categoria.
Ainda assim, é até hoje o jogador português com mais jogos disputados na taça Davis. É atualmente treinador no CETO (Centro Escola de Ténis de Oeiras), onde treina alguns dos nomes anteriormente referidos nesta lista.
Veja como ter aulas tenis Lisboa.
Frederico Ferreira Silva
Este jogador é, atualmente, a grande promessa a médio-longo prazo do ténis português. Nascido em 1995, foi o 13.º tenista português de sempre a entrar nos 200 primeiros lugares, diretamente para a 175.º posição do ranking, o que faz dele o 10.º melhor jogador luso de sempre no ranking ATP.
Em 2012 foi finalista no European Junior Championship (U18 division) e venceu o título de pares do US Open Junior.
Perspetivas futuras para o ténis português
As perspetivas futuras para o ténis português são encorajadoras, especialmente com o surgimento de jovens talentos que demonstram potencial para competir ao mais alto nível. Um exemplo claro é Henrique Rocha, que conquistou o seu primeiro título profissional aos 18 anos, um marco relevante para a sua carreira e para o panorama nacional. A sua estreia na Taça Davis em 2024 reforça a confiança depositada nas novas gerações e evidencia uma renovação progressiva do ténis português, essencial para garantir continuidade e competitividade.
A análise destas jovens promessas deve ter em conta não apenas os resultados imediatos, mas também a evolução técnica, física e mental dos atletas ao longo do tempo. O sucesso precoce é um forte indicador de potencial, mas deve ser acompanhado por estruturas adequadas de apoio.
Neste contexto, a importância de programas de formação e de apoio contínuo é determinante. Investir em academias, treinadores qualificados, acompanhamento psicológico e acesso regular a competições internacionais permite criar bases sólidas para o desenvolvimento dos jogadores. Além disso, o apoio institucional e federativo contribui para reduzir desigualdades de oportunidades e maximizar o talento existente. Com uma estratégia sustentada e focada na formação, o ténis português poderá consolidar-se e alcançar maior relevância no cenário internacional!
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Nuno Borges o melhor de sempre
Boa tarde, parabéns pelo artigo.
Só uma correção, o Nuno Marques tem quatro títulos de campeão nacional de pares.
Continuação de um bom trabalho.
OLá Bruno, obrigada pelo seu comentário. Corrigido :)