Luís XVI não era um tirano, mas um homem fraco colocado num momento que exigia força extraordinária
Simon Schama, escritor e historiador britânico
O rei Luís XVI da França, cujo nome de nascimento era Luís Augusto de Bourbon, recebeu o título de Duque de Berry quando nasceu. Governou França entre 1774 e 1791, até ser derrubado em 1792. Foi o último rei francês antes da grandiosa Revolução Francesa.
Luís XVI assumiu o trono com apenas 19 anos de idade, numa época marcada por grandes tensões em toda a França e pela imensa insatisfação da população. Nesta época, a França apresentava uma grande desigualdade entre as classes sociais.
A nobreza e o clero eram classes cheias de privilégios, enquanto que o terceiro estado (o povo) produzia quase toda a riqueza do país e quase nenhum direito. Devido a esta situação, o povo começou a lutar por mudanças significativas na administração durante o reinado de Luís XVI.
Por isso, este período monárquico francês foi marcado pela insatisfação popular, a revolta do povo e o início da Revolução Francesa, além de apresentar dívidas enormes e gastos excessivos. No meio "disto tudo", havia um rei sem firmeza e determinação, apesar de apresentar, em alguns momentos, boas intenções. Vamos saber mais sobre este monarca?
Cronologia da vida e reinado do rei Luís XVI
Luís Augusto de Bourbon nasceu a 23 de agosto de 1754. A 21 de abril de 1770, casou-se por procuração com Maria Antonieta, uma arquiduquesa da Áustria. Em 1774, o seu avô Luís XV morreu e, com apenas 20 anos, tornou-se rei.
Esta é uma cronologia da sua vida e dos momentos mais importantes do seu mandato:
1754
Nascimento de Luís XVI
O futuro rei nasceu em Versalhes, na França, no dia 23 de agosto de 1754.
1765
Morte do pai
Luís Fernando, pai de Luís XVI, morreu em 1765. Por esse motivo, o jovem príncipe tornou-se o herdeiro direito, com apenas 11 anos.
1770
Casamento com Maria Antonieta
Casou-se com Maria Antonieta de Habsburgo, a arquiduquesa austríaca. A 21 de abril de 1770, houve um casamento por procuração numa igreja em Viena. A 16 de maio de 1770 houve uma cerimónia no Palácio de Versalhes.
1774
Ascensão ao trono
Em 1774, o avô de Luís XVI morreu, o rei Luís XV. Durante este período, o governo francês sofria economicamente devido a grandes dívidas.
1776-1783
Apoio aos colonos norte-americanos na Guerra da Independência contra a Grã-Bretanha
O rei Luís XVI apoiou os colonos norte-americanos na guerra contra a Grã-Bretanha. Neste guerra, os colonos norte-americanos tentavam conquistar a sua independência.
1788
Convocação da Assembleia dos Estados Gerais em Versalhes
A França passou por más condições climáticas durante o ano de 1788, o que levou a uma queda na produção de alimentos e aumento dos preços e, consequentemente, à fome da população e à sua insatisfação.
Julho e agosto de 1789
O Terceiro Estado declarou-se representante da Assembleia Nacional Constituinte
A Assembleia Nacional Constituinte deu início à criação de uma constituição, apesar das ameaças feitas pelo rei Luís XVI. No dia 14 de julho de 1789, houve a tomada da Bastilha (a prisão real oficial). A 26 de agosto de 1789 foi proclamada a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.
Outubro de 1789
Marcha das mulheres em direção à Versalhes
Em outubro de 1789, houve uma marcha das mulheres da cidade para o Palácio de Versalhes para demonstrar descontentamento pela falta de alimentos. No mesmo mês, a família real foi obrigada a mudar-se para Paris, e morar nas Tulherias.
Setembro de 1791
Promulgação pela Assembleia Nacional da Constituinte
Uma nova constituição foi criada pelo povo na Assembleia Nacional Constituinte, que convertia o poder absoluto do rei num poder limitado.
Julho de 1791
Tentativa de fuga da família real para a fronteira
A família real tentou fugir, mas foi capturada em Varennes e regressou a Paris.
Agosto de 1792
Suspensão da monarquia francesa
A população atacou o Palácio de Tulherias e Luís XVI procurou refúgio na Assembleia.
Setembro de 1792
Proclamação da Primeira República Francesa
A monarquia foi abolida e a república foi proclamada em 22 de setembro de 1792.
Janeiro de 1793
Luís XVI é julgado e condenado à morte por traição
A 21 de janeiro de 1793, Luís XVI foi guilhotinado na Place de La Révolution.
O rei Luís XVI morreu aos 38 anos, ao ser guilhotinado na Praça de Revolução. Em 1792, a monarquia já tinha sido abolida no país, e já tinha sido deposto do seu cargo, mas mesmo isso não foi o suficiente para a população, que só descansou ao testemunhar o seu fim. O final do seu reinado levou também ao fim da monarquia francesa, após mais de mil anos no poder contínuo, e ao início da história de Napoleão Bonaparte.
Características de Luís XVI de França
Luís XVI ascendeu como rei com apenas 19 anos, num período marcado por crises e desafios, além de imensa insatisfação do povo. Como já mencionamos, neste caso em particular, a posição de rei passou de avô para neto porque o pai de Luís XVI, Luís Fernando, morreu em 1765, antes do fim monárquico do seu pai.

O rei Luís XVI era considerado uma pessoa de temperamento frágil, que não tinha firmeza nas suas tomadas de decisões. A maioria das pessoas consideravam-no honesto e um rei com boas intenções, mas que não tinha a firmeza necessária para promover as reformas urgentes que a monarquia precisava.
Também tinha duas características que impactavam negativamente a sua atuação política: era desajeitado e tímido. Isto significa que não apresentava uma boa capacidade de liderança, por possuir uma personalidade mais introspetiva.
Luís XVI destacava-se pelo seu desempenho nos estudos, com interesse, principalmente, por temas como astronomia, geografia, história e latim. Também tinha domínio de outras duas línguas: o inglês e o italiano.
Além de contribuir com a formação intelectual de Luís XVI, os seus tutores também o ensinaram a ser um indivíduo com perfil reservado, implementando uma metodologia de educação rígida e conservadora. Esta educação pode ter contribuído com a formação de um governante inseguro e frágil.
A população francesa chamava-lhe o "Cidadão Luís Capeto".
Durante os anos em que ocupou o trono, percebia-se que Luís XVI queria ser amado pelo povo, uma das razões porque levava sempre em consideração a opinião pública. Inclusive, tomou algumas decisões com o intuito de ganhar o apoio do povo, como a questão da restauração dos parlamentos.
A revolução francesa e a guilhotina
O reinado de Luís XVI ocorreu durante um período em que a insatisfação popular e a crise financeira assolavam a França. A população estava insatisfeita devido à divisão social francesa em clero, nobreza e terceiro estado. Este último correspondia ao povo, que pagava altos impostos, tinha poucos direitos e mantinha as extravagâncias da nobreza.
A crise financeira era decorrente, entre outras coisas, dos gastos com a Revolução Americana. Além disso, em 1789, as mudanças climáticas comprometeram a produção agrícola nos territórios, o que aumentou o preço dos produtos alimentícios e impossibilitou que parte da população tivesse condições de se alimentar, levando à fome.
O descontentamento das pessoas gerou uma grande revolta, o que levou a que o povo decidisse formar uma Assembleia Nacional (com os grupos políticos jacobinos e girondinos). O rei tentou impedir que esta assembleia acontecesse, o que fez a população sentir-se oprimida.

Esta sensação de opressão levou ao início da Revolução Francesa com a queda de Bastilha a 14 de julho de 1789. Meses depois deste acontecimento, a população obrigou o rei a sair de Versalhes e ir morar para Paris. Com esta mudança, Luís XVI passou a ser constantemente vigiado pela população. Ainda tentou fugir, em 1791, mas foi capturado.
Devido a esta tentativa de fuga, a população passou a desconfiar de que o monarca estava à procura de ajuda externa, ou seja, a tentar ajuda a potências estrangeiras. Esta perceção levou a que a sua imagem ficasse ainda mais "manchada" na opinião do povo.
Em 1792, a monarquia francesa foi suspensa após a invasão do Palácio das Tulherias, e foi feita a proclamação da república. E depois de ler alguns documentos secretos, descobriu-se que o rei Luís XVI estava realmente a colaborar com inimigos da França.
Por esse motivo, o monarca acabou por ser julgado por traição e condenado à guilhotina, e foi executado a 21 de janeiro de 1793. Antes da sua execução, no meio da multidão, proferiu o célebre frase:
Morro inocente de todos os crimes que me acusam. Perdoo os responsáveis pela minha morte. Peço a Deus que o meu sangue não traga desgraças à França
Além do monarca e da sua esposa, Maria Antonieta, terem sido condenados à morte, o filho do casal, o delfim Luís Carlos, nascido em 1785, foi mantido em cativeiro, com apenas 7 anos. Após a execução do seu pai, Luís Carlos foi separado da mãe e trancado numa cela da torre templo. Acabou por morrer em 1795, com apenas 10 anos.
Uma vida de luxo
O principal passatempo realizado pelo rei Luís XVI era o da caça. Também gostava de praticar serralharia, sendo incentivado a esta prática desde jovem. Além disso, o monarca mantinha, em conjunto com a sua esposa, uma vida de muitos luxos na corte.
cavalos
O palácio contava com cerca de 1400 funcionários. Havia ainda mais de 200 carruagens à disposição. Já Maria Antonieta tinha um estilo de vida bastante extravagante. A rainha costumava ter altos gastos com jóias, corridas de cavalo, passeios de carruagem e bailes.
O rei e a rainha viviam uma vida marcada por luxos, apesar das grandes dívidas que possuiam e das dificuldades passadas pela população mais pobre.
Tal era o seu gosto pelos luxos que o marido lhe ofereceu de presente o Palácio de Petit Trianon, em Versalhes.
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Quem foi Maria Antonieta?
Maria Antonieta foi rainha da França entre 1774 e 1792, enquanto esteve casada. Era filha do imperador Francisco I e da imperatriz Maria Teresa, e nasceu na Áustria. Foi prometida a Luís XVI ainda muito nova, com apenas 14 anos de idade.
O casamento entre os dois foi combinado para reforçar uma aliança política entre a Áustria e a França. Em 1770, ela chegou à França, onde se seguiram as duas cerimónias de casamento com Luís XVI. A partir desse momento, viveu uma vida luxuosa, com festas, carruagens, joias e corridas de cavalo que chamavam à atenção.
Muitas vezes, a rainha era considerada uma "inimiga do povo" devido ao seu apoio aos grupos conservadores da corte e pelos seus pedidos de ajuda às monarquias estrangeiras. Em 1792, Maria Antonieta foi condenada à guilhotina, em conjunto com o seu marido. A sua execução ocorreu a 16 de outubro de 1793.
Os reis tiveram 4 filhos. No entanto, só um dos seus herdeiros sobreviveu até a vida adulta: Maria Teresa Carlota. Por esse motivo, após a sua morte, os Bourbons (linha tradicional dos reis franceses) ficaram sem descendentes diretos.
O único descente possível era o duque de Berry, o sobrinho de Luís XVI e primo do delfim Luís Carlos, que representava a única forma de manter a dinastia viva. No entanto, foi assassinado em 1820 por um extremista, à saída de um espetáculo de ópera em Paris.
Este acontecimento provocou um grande abalo, mas, meses após a sua morte, nasceu o seu filho, porque a sua esposa estava grávida. Henrique, Duque de Bordeaux, ficou conhecido como "a criança milagrosa", porque manteve a linhagem dos Bourbon viva.
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