Escrever é uma maneira de falar sem ser interrompido.
Jules Renard
O exame de português é uma fonte de preocupação para os alunos. No entanto, a maior dor de cabeça é certamente a redação ou texto crítico que faz parte da prova. Além de expressarem a sua opinião sobre um tema inesperado em espaço limitado, os estudantes têm ainda de garantir que cumprem as regras gramaticais de português.
O artigo crítico desempenha um papel crucial no exame, devido à influência que tem na nota final de português. Mas sob a pressão de abordar temas políticos ou socioculturais, cumprir um número específico de palavras e evitar erros gramaticais, muitos estudantes sentem dificuldades.
Para obter sucesso na redação de um texto argumentativo no exame nacional, é fundamental compreender a estrutura do texto, desenvolver argumentos sólidos e praticar regularmente a escrita, focando nos critérios de correção estabelecidos. Vamos saber mais?
O que é um texto de opinião?
É bastante simples, na verdade, é um texto dissertativo-argumentativo onde o autor apresenta o seu ponto de vista sobre um determinado tema. Neste tipo de artigos, o autor recorre a argumentação para explicar o seu ponto de vista e tentar a informar e persuadir o leitor sobre esse assunto.

Ainda que o nome possa parecer complicado, a verdade é que vivemos rodeados de textos de opinião. São este tipo de artigos que vemos todos os dias nos meios de comunicação em massa, como a televisão, os jornais, as revistas ou até mesmo a rádio. É neles que os jornalistas, colunistas ou até mesmo freelancers discutem os temas mais importantes da atualidade.
No contexto do exame, o texto explicativo é importante porque mostra se o estudante consegue pensar de forma crítica, organizar ideias e defender um ponto de vista com argumentos claros. De forma simplificada, os professores e corretores avaliam sobretudo estas capacidades:
É um dos conteúdos mais valorizados, porque ajuda a perceber se o aluno sabe:
- interpretar um assunto;
- argumentar;
- convencer o leitor;
- expressar-se de maneira formal e coerente.
Não basta “dar uma opinião”. O mais importante é explicar bem “porquê”. Um texto simples, organizado e bem argumentado costuma valer mais do que um texto com ideias muito complicadas mas mal explicadas.
Como ter um plano de estudo organizado?
Estrutura de um texto de opinião bem elaborado
A estrutura dos textos argumentativos é algo muito importante e isso pode ser estudado com antecedência. Um artigo de opinião é dividido em três partes:
a introdução
o desenvolvimento
a conclusão
Conhecer esta organização permite escrever de forma mais clara e coerente, facilitando a comunicação da perspetiva do autor com o leitor. Saber distinguir cada uma destas partes e compreender a função que desempenham no conjunto do texto é um passo essencial para produzir uma resposta de qualidade no exame.
Introdução: apresentação do tema e tese
A introdução, ou seja o início, é onde faz a exposição e apresentação do assunto ou temática que vai discutir.

Uma boa introdução deve ser concisa e deve conseguir captar imediatamente a atenção do leitor. Para além disso, é nesta secção que deve deixar claro qual é a sua posição face ao tema proposto, ou seja, a tese que irá defender ao longo do texto.
Uma introdução eficaz não precisa de ser extensa: bastam dois ou três parágrafos bem construídos que contextualizem o assunto e anunciem o rumo da argumentação. Deve evitar começar com frases vagas ou lugares-comuns que não acrescentem valor ao texto.
Desenvolvimento: argumentos e exemplos que sustentam a tese
O desenvolvimento é o centro do artigo, onde deve apresentar os seus argumentos para o ponto de vista que declarou anteriormente. Nesta parte pode abordar diversos aspetos relacionados com o assunto de forma a convencer o leitor o melhor possível, no entanto, deve evitar utilizar rodeios ou dizer muitas vezes a mesma coisa.
Cada argumento deve ser apresentado de forma clara, preferencialmente acompanhado de um exemplo concreto, uma estatística ou uma referência a um facto que reforce a sua posição. É também aqui que pode antecipar e refutar possíveis contra-argumentos, o que demonstra maturidade de raciocínio e capacidade de análise crítica.
Conclusão: reafirmação da tese e síntese dos argumentos
Uma boa conclusão deixa no leitor uma impressão duradoura e demonstra que o texto foi pensado como um todo coerente.
A conclusão, que é a parte final do artigo, deve concluir o seu raciocínio e apresentar soluções possíveis para a questão que esteve a debater. Não deve introduzir ideias novas nesta fase, mas sim retomar de forma sintética os principais argumentos apresentados no desenvolvimento e reafirmar a posição defendida na introdução.
Sabe qual é o peso da poesia no exame de português?
Passos para escrever um texto de opinião eficaz
Escrever um texto argumentativo de forma eficaz não é apenas uma questão de talento ou de fluência na escrita. É, acima de tudo, o resultado de um processo estruturado que envolve várias etapas, desde a leitura atenta do enunciado até à revisão final. Conhecer e seguir este processo aumenta significativamente a qualidade do texto produzido e reduz o risco de erros que podem prejudicar a classificação.

O primeiro passo é a compreensão do tema proposto. Antes de escrever uma única palavra, deve ler o enunciado com atenção e garantir que percebe exatamente o que é pedido. Muitos alunos cometem o erro de começar a escrever sem ter compreendido bem o assunto, o que leva a resultados desviados ou pouco relevantes. Identifique as palavras-chave do enunciado, perceba qual é o âmbito da questão e defina claramente a posição que vai defender.
De seguida, deve dedicar alguns minutos à planificação e organização das ideias. Mesmo que não seja obrigatório entregar o rascunho, esboçar um pequeno plano antes de começar a redigir ajuda a estruturar o pensamento e a garantir que não se esquece de nenhum argumento importante. Pode usar uma lista simples de tópicos ou um esquema com a introdução, os argumentos principais e a conclusão.
Esta fase poupa tempo na redação e evita que o texto fique desordenado ou repetitivo.
Por último, chega a fase da redação e revisão do texto. Enquanto escreve, siga o plano que definiu, mas não hesite em ajustá-lo se surgir uma ideia melhor. Após terminar, reserve sempre algum tempo para rever o texto. Verifique:
- a ortografia;
- a pontuação;
- a coesão entre parágrafos;
- a adequação do vocabulário ao registo formal exigido.
Critérios de avaliação no exame nacional de português
Os critérios de correção são o método utilizado pelos examinadores para determinar quantos pontos vale a resposta de cada estudante a todas as questões do exame.
Os critérios de correção são elaborados por examinadores e membros do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) o instituto do ministério da educação responsável por avaliar os conhecimentos dos estudantes do ensino básico e secundário.
Estes critérios permitem estabelecer quais são as informações necessárias que cada aluno deve referir na resposta às questões e como pontuar quando existem informações ou detalhes em falta. No caso da redação, são avaliados dois parâmetros distintos: a estruturação temática e a correção linguística.
Coerência e coesão textual
Na estrutura temática são avaliadas vários itens: o formato do conteúdo, o assunto e a pertinência da informação e a organização e coesão textuais. São alocados mais pontos sempre que:
- o estudante escrever um artigo de acordo com o género ou formato solicitado;
- se seguir a temática sem desvios e com eficácia nos argumentos
- se o seu artigo for bem organizado e coeso.
Sempre que essas características não estejam presentes, o aluno perde pontos.
Correção gramatical e ortográfica
Na correção linguística é desvalorizado um ponto cada vez que o estudante dá um erro de pontuação, de ortografia, construção verbal como acentuação ou uso indevido de minúscula ou maiúscula, de morfologia ou não faz citação ou referência a uma obra, e de dois pontos num erro da sintaxe ou impropriedade lexical. Tudo isso são coisas que deve evitar fazer.
Também são desvalorizados pontos cada vez que não são respeitados os limites de palavras.
Por cada palavra a mais ou menos é descontado um ponto, até ao máximo de 5 pontos no total. Se tiver uma extensão inferior a 80 palavras é classificada com 0 pontos. Nestes casos é importante lembrar que palavras ligadas por hífen contam apenas como uma. Tenha estes pontos em mente quando estiver a estudar e a preparar-se para o exame de língua portuguesa.
Dicas para melhorar a redação do texto de opinião
Independentemente da temática proposta, há um conjunto de boas práticas que, quando aplicadas, fazem uma diferença notável na qualidade do texto de opinião. Estas dicas podem ser treinadas com antecedência e, com o tempo, tornam-se hábitos naturais na escrita.

Uma das mais importantes é a utilização de conectores lógicos. Expressões como "por outro lado", "no entanto", "em consequência", "além disso" ou "em suma" permitem ligar as ideias de forma fluida e mostrar ao leitor a relação entre os diferentes argumentos.
Um texto sem conectores parece uma lista de frases soltas, sem coerência interna. O uso adequado destas expressões é também um indicador de maturidade linguística que os avaliadores valorizam.
Deve igualmente ter o cuidado de evitar repetições e redundâncias. Repetir as mesmas palavras ou ideias ao longo do texto torna a leitura cansativa e transmite a ideia de que o autor não tem variedade de vocabulário ou profundidade de argumentação. Para evitar isso:
procure usar sinónimos e não repetir termos
reformule as ideias com palavras diferentes
não repita os mesmos argumentos em vários parágrafos
Por último, o uso adequado de exemplos e citações pode enriquecer significativamente o texto. Um argumento bem ilustrado com um exemplo concreto, seja da atualidade, da história ou da literatura, é mais persuasivo do que uma afirmação vaga. Quanto às citações, devem ser usadas com moderação e apenas quando acrescentam valor real ao argumento, nunca como forma de preencher espaço.
Procure também outras técnicas que podem ajudar a ter melhor nota no exame da nossa língua materna.
Exemplos de temas frequentes no exame nacional
A parte de redação de um exame de português pode ter vários géneros. Pode ser pedido aos alunos que escrevam uma pequena reportagem, um documentário, um assunto publicitário, um relato de uma viagem, um artigo de divulgação científica, uma entrada de diário, um discurso político, uma exposição, uma apreciação crítica ou até mesmo um debate.

Poderão pedir-lhe que exponha a sua opinião sobre um assunto da atualidade, mas também poderão utilizar uma temática que é central numa das obras estudadas ou até mesmo pedir a opinião numa descrição de uma imagem ou cartoon apresentados na prova.
Conhecer os tipos de temas mais frequentes permite preparar-se melhor e evitar surpresas no dia do exame. Em termos gerais, os temas podem agrupar-se em três grandes categorias:
temas socioculturais atuais
questões éticas e morais
desafios ambientais e tecnológicos
Temas socioculturais atuais
Questões como a desigualdade social, a saúde mental dos jovens, o papel das redes sociais na sociedade contemporânea ou os desafios da integração cultural são exemplos de temas que surgem com frequência. Para estes assuntos, é útil acompanhar a atualidade com regularidade, ler artigos de opinião em jornais e revistas e ter alguns dados ou factos relevantes memorizados que possam ser usados como exemplos no texto.
Questões éticas e morais
Temas como a eutanásia, os direitos dos animais, a responsabilidade individual perante a sociedade ou os limites da liberdade de expressão são recorrentes neste tipo de exercícios. Para estes temas, é importante ser capaz de apresentar diferentes perspetivas com equilíbrio, mesmo que depois defenda uma posição clara. A capacidade de reconhecer a complexidade de um assunto é valorizada pelos avaliadores.
Qual acha que será a temática da redação deste ano?
Desafios ambientais e tecnológicos
As alterações climáticas, a dependência tecnológica, a inteligência artificial, o consumismo e a sustentabilidade são tópicos cada vez mais presentes nos exames. Nestes casos, é vantajoso conhecer os debates mais atuais nestas áreas e ser capaz de os relacionar com o quotidiano das pessoas de forma concreta e acessível.
Recursos adicionais para praticar a escrita de textos de opinião
Ao contrário da interpretação de texto ou do conteúdo gramatical, é mais difícil preparar-se para criar um artigo argumentativo. Aqui não existem matérias, regras ou obras específicas a rever. No entanto, isso não quer dizer que não seja possível preparar-se com antecedência para este exercício, principalmente se for alguém que sente dificuldade de pensar em algo para escrever no momento. A prática regular é, de longe, a melhor forma de melhorar, e há vários recursos que podem apoiar esse treino.
No que diz respeito a plataformas online com exercícios práticos, existem vários sites dedicados à preparação para os exames nacionais que disponibilizam propostas de redação com correção e critérios de avaliação. Escrever regularmente com base nessas propostas, mesmo fora do contexto escolar, ajuda a ganhar fluência, a reduzir o tempo de planificação e a familiarizar-se com os géneros mais pedidos.
Quanto a livros e manuais recomendados, os manuais escolares adotados incluem geralmente secções dedicadas à produção escrita com exemplos comentados e grelhas de correção. Além disso, existem guias específicos para o exame nacional de português que compilam exercícios de anos anteriores com as respetivas correções, que são uma ferramenta muito útil para perceber o que é valorizado pelos examinadores.
Existem também comunidades online onde alunos e professores partilham recursos, esclarecem dúvidas e debatem estratégias para o exame, o que pode ser uma fonte valiosa de apoio e motivação.
Por último, os grupos de estudo e fóruns de discussão são uma forma muitas vezes subestimada de melhorar a escrita. Partilhar os textos produzidos com colegas, receber feedback e comentar o trabalho de outros permite identificar erros que passariam despercebidos numa revisão individual.
E se estiver com dificuldades na escola em escrever, com a gramática ou até mesmo com a leitura, porque não ter ajuda com um professor particular? Desta forma terá acesso a um apoio extra para as suas dúvidas e poderá preparar-se com a ajuda de um profissional qualificado.

Na plataforma online da Superprof existem dezenas de professores formados, com muita experiência e conhecimento que lhe podem dar explicações para complementar as aulas de português. Com um plano criado especificamente para as suas dúvidas, nas aulas particulares terá acesso a conteúdo, informações e exercícios para o ajudar a estudar todas as matérias e obras que podem sair no enunciado do exame.
Pode escolher qualquer professor disponível de norte a sul do país, uma vez que no site da Superprof encontra também a opção de ter aulas de forma totalmente online, o que permite ao estudante ter acesso a profissionais fora da sua área. Além disso, também pode escolher qual é o dia em que quer ter cada aula e controlar a carga horária de cada semana.
Por isso, de que está a espera para começar?
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