A história é émula do tempo, repositório dos factos, testemunha do passado, exemplo do presente, advertência do futuro.

Miguel Cervantes

A época dos exames nacionais traz sempre muita preocupação para os alunos. Ter que dominar toda a matéria de história A, que abrange três anos do ensino secundário, desde a Antiguidade Clássica até à segunda metade do século XX, pode parecer uma tarefa impossível. Mas não é.

Basta que estude e se prepare corretamente para a prova. E, para isso, a chave está em saber o que tem maior probabilidade de sair e garantir que esses conteúdos estão bem revistos. Para o ajudar a ter sucesso no exame de história e a orientar os estudos, compilamos os temas mais frequentes no enunciado dos exames de anos anteriores, a estrutura da prova e os critérios que mais influenciam a classificação final.

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Temas que costumam sair no exame de história A: lista rápida

Antes de entrar nos detalhes, vamos rapidamente enumerar os conteúdos com maior frequência histórica nos enunciados, aqueles temas que aparecem consistentemente nos exames de anos anteriores e que deve garantir que revê com atenção:

Império Romano na Antiguidade Clássica: cidade, cidadania e organização política;
Consolidação do reino cristão ibérico: formação e afirmação de Portugal na Idade Média;
O liberalismo em Portugal: ideologia, revolução e modelos nos séculos XVIII e XIX;
As transformações das primeiras décadas do século XX: crises, embates ideológicos e mutações culturais;
Portugal e o Estado Novo: contexto interno e internacional; o regime e o seu fim;
O final da Guerra Fria: alterações geoestratégicas e transformações no mundo atual.
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Não esquecer!

Estes são os temas com maior recorrência histórica, não uma previsão garantida.

Reveja também os restantes períodos do programa, com especial atenção aos eventos e figuras mais marcantes de cada época.

Exame de história A: estrutura e grupos da prova

A melhor forma de se preparar de forma correta para os exames nacionais, incluindo a prova de história, é saber qual é a sua estrutura e com o que pode contar. A prova está dividida em quatro grupos, grupo I, grupo II, grupo III e grupo IV e cada um testa uma parte da matéria.

pessoa a segurar um livro num secretária

O grupo I é composto apenas por perguntas de escolha múltipla. Os restantes grupos (II, III e IV) possuem questões de escolha múltipla, de produção de texto e de associação, sempre acompanhados por excertos ou outros documentos de apoio (imagens, mapas, tabelas ou gráficos) para análise.

Nas perguntas de escolha múltipla, basta que assinale na folha de respostas a opção correta. Nas questões em que é necessário uma resposta longa, tem que não só dar a informação correta, mas também estruturá-la corretamente, utilizar a terminologia histórica adequada e incluir a informação que está nos documentos fornecidos.

Além disso, e de acordo com as novas regulações dos exames nacionais, apenas algumas das perguntas são de carácter obrigatório. De todas as questões incluídas no enunciado, apenas as que estão assinaladas como tal são de carácter obrigatório, ou seja, têm que ser respondidas e contam para a classificação final da prova. Das restantes, apenas as que tiverem melhor pontuação contam. As restantes são desconsideradas.

A prova tem a duração de
120 minutos

E uma tolerância de 30, o que lhe dá duas hora e meia na totalidade para poder responder e verificar com calma todas as suas respostas. Só é permitido utilizar caneta azul ou preta para responder, nada de corretor e, claro, sem recurso a telemóvel, smartwatches ou qualquer outro aparelho eletrónico!

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Exame de história A: temas mais prováveis com base nos enunciados anteriores

Seria fantástico podermos fazer uma lista completa das matérias que vão sair no exame nacional deste ano, mas, infelizmente, nunca podemos prever exatamente aquilo que irá sair. No entanto, como as matérias dadas pelos professores durante as aulas seguem um plano determinado pelo Ministério da Educação para todas as escolas do país, podemos pelo menos enumerar aquilo que pode sair.

Até porque existem tendências. Se analisarmos os enunciados dos anos anteriores, podemos equacionar quais são as matérias ou os períodos históricos mais prováveis de serem avaliados na prova. Claro que não existem garantias, mas terá pelo menos algo por onde começar.

Tendo em conta o que esteve presente nas provas dos anos anteriores, estes são os seis períodos históricos e conteúdos com maior probabilidade de figurar nas questões:

Império Romano na Antiguidade Clássica

A organização política, a cidadania, a expansão territorial e o legado romano na cultura europeia são temas recorrentes. Garanta que domina os conceitos de:

República e Império

o papel do Senado

a romanização das províncias

O que o IAVE mais valoriza neste período é a capacidade de relacionar a organização interna de Roma com a sua expansão externa. Não basta saber que Roma conquistou novos territórios: importa perceber como essa expansão transformou as estruturas políticas internas (a crise da República, o papel crescente dos generais, a transição para o Principado) e como a romanização funcionou como instrumento de integração cultural e administrativa nas províncias.

Nas questões de resposta curta, é frequente pedir a distinção entre cidadão romano e peregrino, ou entre o papel do Senado na República e no Império. Nas respostas mais longas, o IAVE tem pedido que se analise o processo de romanização a partir de documentos como inscrições, plantas de cidades ou textos de autores latinos, relacionando-os com os conceitos de assimilação cultural e de administração provincial.

A consolidação do reino cristão ibérico

A formação de Portugal no contexto da Reconquista, a afirmação do poder régio face à nobreza e ao clero, e as características da sociedade medieval portuguesa são pontos de estudo obrigatório neste período.

O exame distingue com frequência as várias fases do processo de afirmação da monarquia portuguesa: desde o Condado Portucalense e o reconhecimento da independência (1143 e 1179) até à consolidação das fronteiras com o Tratado de Alcanices (1297). Perceber a relação entre o poder régio, a Igreja e a nobreza não é apenas saber quem estava em conflito: é compreender os mecanismos que cada poder usava para legitimar a sua posição (as doações de terras, os forais, a aliança com as ordens militares).

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Não escapa às datas

Este é um tema onde a contextualização cronológica é fundamental.

Exemplos de perguntas que já saíram em enunciados anteriores incluem a análise de excertos de forais medievais para identificar os direitos e obrigações dos concelhos, ou a comparação entre diferentes formas de organização do espaço rural (senhorios eclesiásticos, senhorios laicos e terras da Coroa). A sociedade de ordens, com a distinção entre clero, nobreza e povo, e as funções atribuídas a cada grupo, é outro conteúdo com presença regular.

O liberalismo em Portugal

A implantação do liberalismo, as revoluções do século XIX, o constitucionalismo e a instabilidade política que marcou o rotativismo são conteúdos que aparecem com frequência. Saiba distinguir os modelos político-ideológicos em confronto.

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Se se quer preparar para o exame nacional de história A temas, este é um bom começo. | Fonte: Pexels

O período liberal português é extenso e pode ser confuso se não for organizado cronologicamente. Uma forma eficaz de o estruturar é distinguir três grandes momentos: a instalação do liberalismo (1820 e a Constituição de 1822, a guerra civil entre liberais e absolutistas, a Carta Constitucional de 1826), a consolidação do regime ao longo do Setembrismo e do Cabralismo, e a estabilização rotativista da segunda metade do século XIX com o Partido Progressista e o Partido Regenerador.

O IAVE tem pedido com regularidade a comparação entre a Constituição de 1822 e a Carta Constitucional de 1826, nomeadamente no que respeita à soberania, ao poder moderador e ao sufrágio. É um exercício de confronto de fontes que exige saber:

o conteúdo de cada documento

o contexto político em que foi produzido e quem o defendia.

A questão social associada ao liberalismo, nomeadamente as condições de vida das classes trabalhadoras, o surgimento do movimento operário e as primeiras formas de organização sindical, é um complemento que pode surgir integrado neste período ou articulado com as transformações económicas da segunda metade do século XIX.

As transformações das primeiras décadas do século XX

A I Guerra Mundial, a Revolução Russa, o surgimento dos regimes totalitários, a Grande Depressão e a II Guerra Mundial são os grandes marcos deste período. Dominar as causas, os protagonistas e as consequências de cada evento é essencial.

Este é provavelmente o módulo com maior densidade temática de todo o programa, o que o torna simultaneamente um dos mais exigentes e um dos mais frequentes nos exames. O IAVE não pede apenas que se enumerem causas e consequências: pede que se estabeleçam relações entre eventos. A forma como a I Guerra Mundial criou as condições para a ascensão dos totalitarismos, o modo como a Grande Depressão alimentou o radicalismo político, ou a relação entre a política de apaziguamento e a expansão nazi são exemplos de conexões que aparecem regularmente nas questões de resposta longa.

Para a II Guerra Mundial, o exame tem focado com frequência a análise de cartazes de propaganda, discursos políticos ou fotografias históricas, pedindo que se identifiquem os mecanismos de mobilização das populações usados pelos regimes totalitários. Saber ler e contextualizar fontes iconográficas é, neste módulo, uma competência tão importante quanto o conhecimento factual.

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Não esquecer

Um tema complementar que tem surgido com alguma regularidade é o dos movimentos de resistência na Europa ocupada durante a II Guerra Mundial, bem como as discussões sobre as responsabilidades pela Shoah e o julgamento de Nuremberga como precedente do direito internacional.

Portugal e o Estado Novo

O regime salazarista, a sua relação com o contexto internacional (Guerra Civil de Espanha, II Guerra Mundial, Guerra Colonial), a oposição ao regime e o 25 de Abril são temas que têm aparecido de forma consistente nos exames.

É um dos períodos com mais probabilidade de figurar nas questões de resposta longa. O Estado Novo é, de longe, o tema com maior peso nas questões de desenvolvimento.

A razão é simples: é um período longo (1933 a 1974), com grande densidade documental disponível e com múltiplas dimensões analisáveis (política, económica, social, cultural e colonial). O exame pode pedir que se analise a Constituição de 1933 e os seus mecanismos de controlo político, que se compare o Estado Novo com outros regimes autoritários europeus da época, ou que se explique a posição portuguesa na II Guerra Mundial (a neutralidade colaborante e as suas implicações económicas e diplomáticas).

A Guerra Colonial (1961 a 1974) e o seu papel no enfraquecimento do regime são um conteúdo com presença crescente nas provas mais recentes. O IAVE tem pedido a análise de fontes sobre o impacto da guerra na sociedade portuguesa (emigração, contestação interna, crise económica) e a relação entre o prolongamento do conflito e a crise política que culminou no 25 de Abril.

A PIDE, a censura, o papel da Igreja e a política colonial são outros eixos que surgem com regularidade, frequentemente a partir da análise de fontes primárias como panfletos da oposição, relatórios da censura ou excertos de discursos de Salazar.

O final da Guerra Fria e o mundo atual

A queda do Muro de Berlim, o colapso da URSS, a Nova Ordem Mundial e as tensões geopolíticas que se seguiram são os conteúdos mais recentes do programa.

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Nada de os esquecer

Não os negligencie por serem os últimos, porque são frequentes nas questões sobre o mundo contemporâneo.

Este módulo é frequentemente subvalorizado na preparação, o que é um erro. O IAVE tem incluído questões sobre o período pós-Guerra Fria com regularidade, e o facto de ser o conteúdo mais recente do programa significa que os documentos de apoio fornecidos no enunciado têm um peso ainda maior (porque o contexto é menos trabalhado em sala de aula do que os períodos anteriores).

Os temas com maior presença incluem a análise das causas internas do colapso da URSS (crise económica, reforma de Gorbachev, nacionalismos internos), a emergência dos Estados Unidos como única superpotência e as suas implicações geopolíticas, e os novos conflitos do pós-Guerra Fria (os Balcãs, o Médio Oriente, o terrorismo internacional após o 11 de setembro de 2001). A construção europeia e o papel de Portugal na União Europeia são também conteúdos que surgem frequentemente articulados com este período, nomeadamente a adesão à CEE em 1986 e as transformações económicas e sociais que se seguiram.

Uma boa forma de preparar este módulo é trabalhar com cronologias comentadas: não apenas datas e factos, mas uma linha de tempo que mostre as relações de causalidade entre os eventos, do colapso do bloco soviético até às tensões geopolíticas do início do século XXI.

Sabia que pode estudar história em sites?

Critérios de classificação do exame de História A: o que os examinadores avaliam

Os critérios de correção são, tal como o nome indica, os critérios que os examinadores utilizam para determinar o número de pontos que vale a resposta dada pelo aluno às questões do enunciado do exame de história. Os valores atribuídos a cada resposta obrigatória são então somados, para chegar à classificação final, entre 0 e 20 valores.

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Analise os critérios de anos anteriores, para perceber o que é pedido normalmente nas provas, quais são os fatores que influenciam a classficação e como se estrutura o exame. | Fonte: Pexels

Os critérios de correção dos exames nacionais são elaborados por examinadores e membros do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), o instituto do Ministério da Educação que é responsável pela conceção e elaboração das provas e exames de avaliação dos conhecimentos dos estudantes do ensino básico e do ensino secundário.

Os critérios de classificação determinam quais são as informações necessárias que os alunos devem mencionar na resposta às perguntas do enunciado e como pontuar cada uma quando existem informações ou detalhes que estão em falta.

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Atenção

As respostas que sejam ilegíveis ou que não possam ser claramente identificadas também são classificadas com zero pontos. E o mesmo acontece se não identificar qual é a versão da prova que lhe foi entregue.

São estes que determinam quais são as respostas corretas, no caso das questões de escolha múltipla, e que conteúdos considerar mais ou menos corretos, no caso das respostas restritas, de forma a pontuá-las corretamente.

No que diz respeito ao exame de história A em concreto, e de acordo com o IAVE, os critérios de classificação avaliam aprendizagens dos três anos do ensino da disciplina no ensino secundário:

Raízes mediterrânicas da civilização europeia: cidade, cidadania e império na Antiguidade Clássica;
A Europa nos séculos XVII e XVIII : sociedade, poder e dinâmicas coloniais;
O liberalismo em Portugal: ideologia e revolução, modelos e práticas nos séculos XVIII e XIX;
Crises, embates ideológicos e mutações culturais na primeira metade do século XX
Portugal e o Mundo, da Segunda Guerra Mundial ao início da década de 80: opções internas e contexto internacional;
Alterações geoestratégicas, tensões políticas e transformações socioculturais no mundo atual.

No que diz respeito a cada questão, os itens de escolha múltipla recebem pontuação quando for dada a resposta correta. No caso dos itens de construção (resposta longa), os critérios os critérios avaliam três dimensões:

o conteúdo (informação correta e relevante, conceitos e agentes históricos adequados)

a integração documental (uso dos documentos de apoio fornecidos, com penalização se não o fizer)

a organização (estrutura clara, linguagem precisa, coerência argumentativa)

Sempre que um destes esteja incorreto, são descontados pontos. E, se o contexto histórico estiver errado, a resposta é classificada com zero pontos.

Como preparar o estudo para o exame de História A

Independentemente de sentir mais dificuldade com os detalhes de certos períodos históricos, com as datas ou em não confundir os nomes das pessoas mais influentes, é importante que reveja e que se prepara para todos os aspetos do exame.

rapaz a estudar com computador

Agora que já tem uma ideia de quais são as matérias que podem sair no exame de história, já sabe tudo o que deve incluir no seu plano de estudos. Os eventos históricos em que se deve focar e os períodos que serão avaliados, de forma a estar mais bem preparado no dia do exame.

Além disso, existem várias formas de rever a matéria de forma a garantir que tem a melhor nota possível na prova. Tendo em conta as matérias que mencionamos ao longo deste artigo, e tudo o que tem que saber, é essencial que estruture o estudo de forma clara e organizada.

Construa um plano de revisão por temas. Use a lista dos seis períodos mais frequentes como ponto de partida, mas não negligencie os restantes conteúdos do programa. Distribua as semanas disponíveis pelos temas, dedicando mais tempo aos períodos onde sente maiores lacunas.

Analise enunciados de anos anteriores. É a forma mais eficaz de perceber que tipo de questões são colocadas, como os documentos são apresentados e quanto tempo cada grupo exige. Pratique responder a questões de construção com controlo de tempo, porque a gestão do tempo em exame é uma competência que só se desenvolve com treino.

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O local onde procurar

Todos os enunciados e critérios estão disponíveis no arquivo do IAVE1.

Treine a resposta longa com os critérios na mão. Escreva respostas para questões de anos anteriores e corrija-as com os critérios de classificação oficiais. Identifique se integrou os documentos, se usou a terminologia correta e se a resposta está bem estruturada. É o método mais direto para perceber onde estão as perdas de pontos.

Recorra a um explicador para os pontos mais difíceis. Se há períodos ou conceitos que persistem como dúvida, um explicador de história pode ajudar a desbloquear esses pontos de forma dirigida. Se quiser apoio mais abrangente na preparação para exames nacionais, na Superprof encontra professores de história disponíveis para aulas presenciais ou online, com avaliações verificadas pelos alunos e 99% a oferecer a primeira aula gratuitamente.

Com os nossos professores de história, poderá esclarecer todas as suas dúvidas, preparar-se da melhor forma para o exame nacional e conseguir ter a maior classificação possível. Estas explicações podem ser a diferença entre ter uma época de exames descomplicada, ou ter que recorrer à 2ª fase!

Referências

  1. IAVE (2026) Arquivo, acesso realizado em 25 de maio de 2026. https://iave.pt/provas-e-exames/arquivo/

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Catarina

Eterna otimista, com um bichinho por viajar. Apaixonada por literatura e ficção. Metro e meio de pessoa, vivo pelo lema "Though she be but little, she is fierce". Trabalho atualmente como tradutora e redatora freelancer.