O Iluminismo foi o movimento que colocou a razão no centro da vida humana e defendeu a liberdade com base na sociedade

Immanuel Kant

O Iluminismo foi um movimento intelectual que teve inicio no século XVIII, e o motivo pelo qual é conhecido como o Século das Luzes. Tinha como fundamentos o empirismo e o racionalismo. Além disso, o Iluminismo criticava, especialmente, o poder absoluto dos reis e o poder do clero. Em vez disto, o iluminismo defendia a liberdade individual e a igualdade entre as pessoas.

O Iluminismo teve uma grande contribuição nos sistemas políticos, uma vez que defendia a separação dos três poderes e o liberalismo. Através da separação dos três poderes em legislativo, executivo e judiciário, era possível impedir que o poder ficasse concentrado nas mãos de apenas uma pessoa.

Já o liberalismo tinha como princípios a liberdade individual, a limitação do governo, a baixa intervenção estatal na economia, a participação política do povo e a defesa da propriedade privada. A separação dos três poderes foi uma ideia desenvolvida principalmente por Montesquieu; e o liberalismo por John Locke.

Os ideais iluministas, ou melhor, o pensamento iluminista como um todo espalhou-se por toda a Europa, além de outros continentes. Os princípios iluministas influenciaram diversos acontecimentos históricos, como o início da Revolução Francesa. Além disso, a base política, social e cultural moderna do mundo moderno baseou-se nos princípios iluministas. Quer saber como?

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Qual é a origem do Iluminismo?

Entre os séculos XVII e XVIII, foi criado o movimento filosófico e intelectual do Iluminismo. Alguns estudiosos apontam que o seu início se deu por volta de 1715, ou seja, após a morte do rei Luís XVI de França.

O pensamento iluminista disseminou-se por diversos países, mas o movimento centralizou-se na França, especialmente em Paris. Na cidade parisiense, encontravam-se vários estudiosos, pesquisadores e intelectuais para questionar o antigo regime, os dogmas religiosos e o absolutismo da monarquia.

Mas a criação do Iluminismo também foi influenciada pela revolução científica. Desde o século XVII, a forma como se pensava sobre a sociedade e a política já estava a passar por uma profunda transformação. Muitos estudiosos contribuíram com a criação e o desenvolvimento deste pensamento durante este período.

Alguns dos estudiosos que partilharam as suas ideias para a construção do pensamento iluminista foram Francis Bacon (sobre empirismo, observação e experiência), René Descartes (racionalismo), além de Thomas Hobbes, John Locke e Spinoza.

Há uma ampla discussão sobre como se deu o início do Iluminismo. Enquanto alguns historiadores indicam que o início se deu a partir da publicação do livro Discurso do Método, de René Descartes, outros consideram que o marco inicial dos princípios iluministas foi a publicação do livro Principia Mathematica, de Isaac Newton, uma vez que este livro provocou uma grande revolução na ciência.

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Libertação das tradições

O objetivo do Iluminismo era libertar a mente humana dos dogmas, renovar o pensamento e aumentar a consciência das pessoas. Os estudiosos defendiam o uso da lógica em detrimento da fé para abordar e discutir sobre as questões políticas e sociais.

Na época em que surgiu o Iluminismo, as pessoas estavam à procura de obter um melhor entendimento sobre o mundo. Como resultado desta busca por conhecimento, o pensamento iluminista foi desenvolvido. Os iluministas acreditavam que a razão deveria ser o instrumento utilizado para resolver os problemas sociais, e não a fé ou a tradição.

A insatisfação popular contra o antigo regime seguido pelo rei francês Luís XVI também contribuiu para a criação e a disseminação do Iluminismo. A falta de direitos individuais, o absolutismo dos reis, o controlo do clero sobre a vida pública e privada levaram as pessoas a procurarem novas formas de pensar e lutar por uma profunda reforma política e social.

Neste sentido, o Iluminismo levou ao questionamento das autoridades monárquicas e religiosas e à defesa da igualdade e da liberdade, com um impacto real na sociedade moderna.

Quem foram os grandes pensadores do Iluminismo?

O Iluminismo teve grandes pensadores, sendo a maioria oriundos de França. Estes são os nomes dos maiores contribuidores para a evolução do pensamento iluminista:

  • John Locke: pai do liberalismo;
  • Voltaire: crítico da religião e do absolutismo;
  • Adam Smith: pai do liberalismo económico;
  • Immanuel Kant: defendia o uso da razão para a conquista da liberdade intelectual;
  • Montesquieu: desenvolveu a teoria dos três poderes (executivo, legislativo e judiciário);
  • Jean-Jacques Rousseau: defensor dos interesses coletivos;
  • David Hume: defensor do empirismo;
  • Cesare Beccaria: pai do direito penal moderno;
  • René Descartes: defensor da filosofia racionalista;
  • Francis Bacon: precursor do empirismo;
  • Denis Diderot: compilador da Encyclopédie.

Embora estes sejam os nomes dos elementos mais importantes, vamos aqui forcar-nos em apenas alguns.

O nosso foco serão os pensamentos dos
7

maiores iluministas

Montesquieu

Montesquieu foi um dos pensadores mais importantes do Iluminismo. Contribuiu para o desenvolvimento de democracias mais modernas, indicando formas mais democráticas de organização do estado para limitar o poder da monarquia.

Defendia a separação dos três poderes: poder legislativo (criação de leis), poder executivo (aplicação e administração de leis) e poder judiciário (julgamento e garantia do seguimento das leis). Esta ideia influenciou diretamente a Revolução Francesa e fundamentou o início das constituições modernas.

Voltaire

Voltaire, pseudónimo de François-Marie Arouet, foi um grande escritor e filósofo. Era a favor da liberdade de expressão, e acreditava que todas as pessoas deveriam ter o direito de pensar e falar livremente. E deveriam tê-lo até mesmo quando as suas ideias fossem contrárias ao clero e ao Estado.

Voltaire fazia diversas críticas ao fanatismo e à intolerância religiosa e ao abuso de poder dos reis. Também era a favor da promoção do sentido crítico, da ciência e do uso da razão, e defendia o abandono da ignorância e da superstição.

Posso não concordar com o que diz, mas defenderei até a morte o seu direito de o dizer.

Voltaire

Vale destacar que Voltaire fazia várias críticas, muitas vezes em tom irónico, sobre as injustiças da sociedade francesa do século XVIII. Inclusive, essas críticas estavam muito presentes nos seus ensaios, poemas, obras filosóficas e peças de teatro.

Jean-Jacques Rosseau

Jean Jacques Rosseau, por sua vez, defendia a liberdade e a igualdade. No seu livro, O contrato social, Rosseau é necessário seguir os interesses coletivos em vez dos interesses individuais para legitimar a sociedade.

O homem nasce livre, e por toda a parte vive acorrentado

Jean-Jacques Rosseau

De acordo com este estudioso, o poder político não deveria estar concentrado nas mãos da nobreza ou do clero, mas sim vir do povo. Não é à toa que Rosseau é, até hoje, considerado um dos maiores nomes do Iluminismo.

John Locke

John Locke foi o fundador do liberalismo político moderno. As suas principais ideias iluministas influenciaram a criação de diversos documentos importantes, entre eles a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que foi essencial durante a Revolução Francesa, e a Declaração de Independência Estados Unidos.

Defendia a ideia de que o poder político não vem de Deus, mas sim do consentimento do povo. Como o povo aceita ser governado, o governo existe. Caso contrário, o governo não existiria. Além disso, era defensor dos direitos naturais, e considerava que as pessoas nasciam com os seguintes direitos, que não poderiam ser retirados pelo governo: propriedade, liberdade e vida.

Como estes direitos são naturais, são anteriores ao Estado, o que impede que o governo os retire. Se houver violação de um destes direitos, o povo pode resistir, protestar e até mesmo derrubar o governo. Além disso, também defendia a propriedade privada e a tolerância religiosa e foi um grande questionador do absolutismo.

Além de conhecer todos estes iluministas, que tal conhecer também outros grandes nomes da história? Veja a biografia de Napoleão Bonaparte!

René Descartes

René Descartes também foi um dos principais contribuidores para a fundamentação dos ideais iluministas, uma vez que os seus pensamentos abriram caminho para o desenvolvimento do Iluminismo.

É considerado o pai da filosofia moderna, apesar de não ter pertencido diretamente ao período do Iluminismo. Além disso, René Descartes valorizava o uso da razão como instrumento para a compreensão do mundo.

Penso, logo existo.

René Descartes

René Descartes criou um método para alcançar o conhecimento verdadeiro, o método cartesiano. Além disso, para Descartes, a atitude de duvidar era o primeiro passo que deveria ser dado para atingir a certeza.

Denis Diderot

Denis Diderot foi um dos principais idealizadores da Enciclopédia, em conjunto com Jean le Rond d'Alembert. Esta obra reuniu diversas informações e pensamentos sobre filosofia, política, ciência, entre outros, e baseava-se, primordialmente, no conhecimento científico.

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Alvo de críticas

A Enciclopédia (Encyclopédie) foi perseguida após a sua publicação pela censura religiosa e da nobreza.

A obra defendia os pensamentos de ciência e progresso, e possuía muitas críticas ao domínio do clero e aos poderes absolutistas da monarquia.

Immanuel Kant

O alemão Immanuel Kant foi um dos filósofos centrais desta vertente de pensamento. Os seus pensamentos voltavam-se, principalmente, para questões como liberdade e moralidade. Tinha a opinião de que para as pessoas se livrassem da ignorância, a principal saída seria a disseminação deste pensamento.

Ouse saber! Tenha coragem de usar a própria razão.

Immanuel Kant

Também acreditava que, através dos ideais iluministas, o povo poderia pôr fim à dependência das autoridades absolutistas, como da monarquia. Afirmava que o ser humano é livre apenas quando consegue pensar com autonomia, sem se basear em dogmas, como o da religião.

Para Kant, a liberdade do ser humano existe quando consegue raciocinar e decidir, tendo autonomia da razão. Além disso, também defendia pensamentos de "moral baseada na razão". Afirmava que a moral não deveria depender da razão, mas sim seguir princípios racionais universais.

Isto significa que a moral não se deveria basear no medo da punição ou na procura pela recompensa, como nos dogmas estabelecidos pela religião.

Iluminismo e a Revolução Francesa

O pensamento iluminista foi a base ideológica da Revolução Francesa, que ocorreu em 1789. Através do Iluminismo, surgiram ideias e argumentos para impor o fim do Antigo Regime e dar início às mudanças políticas e sociais que ocorreram na França e em outros países da Europa durante esta época.

bandeira francesa em poste

Os filósofos iluministas eram críticos dos poderes absolutos dos reis e dos privilégios do clero. E, como já mencionamos, defendiam os direitos individuais, a igualdade e a liberdade da população.

A disseminação destas ideias entre o povo, levou ao enfraquecimento da monarquia e ao aumento da força para implodir a Revolução Francesa.

As críticas dos pioneiros do Iluminismo eram feitas diretamente ao sistema político e social francês, porque estes pensadores eram contra o absolutismo (ou seja, o poder ilimitado do rei) e os grandes privilégios na nobreza e do clero (o primeiro e o segundo estado não pagavam altos impostos e tinham direitos especiais).

Estes pensadores também afirmaram que todos deveriam ser tratados igualmente perante a lei, sem diferenciação. John Locke afirmava que o poder deveria vir da vontade do povo, criticando a ideia de que os reis deveriam ter direitos divinos. Já Montesquieu afirmava que o poder não deveria ficar de forma absoluta na mão do rei, devendo haver a separação dos poderes em legislativo, executivo e judiciário.

O início da Revolução Francesa foi a colocação em prática das ideias do Iluminismo. Durante esta revolta, foram, de facto, impostos, diversos princípios iluministas, em procura da conquista da igualdade e dos direitos individuais, do fim da monarquia absolutista, da separação entre a igreja e o Estado, entre outros.

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Os princípios iluministas foram a base ideológica da Revolução Francesa

Os iluministas criticavam os poderes da monarquia e do clero e defendiam a liberdade, a igualdade e os direitos individuais

Estes princípios foram colocados em prática, pelos grupos políticos mais importantes da época, como os jacobinos e girondinos. Em conjunto, os grupos políticos, os filósofos e o povo, conseguiram promover este movimento revolucionário.

Importância do Iluminismo na atualidade

As ideias deste movimento funcionaram como a definição de direitos e de valores que moldam as sociedades na atualidade. Apesar do pensamento iluminista ter surgido no século XVIII, os seus princípios permanecem presentes na sociedade até aos dias de hoje, nas áreas da justiça, educação, direito, etc.

Placa escrita "A união faz a força" em meio à multidão de franceses.
O pensamento iluminista contribuiu com a formação atual da sociedade! | Fotógrafo: James Caffley.

Hoje em dia, muitos países seguem os pensamentos iluministas de direitos individuais (de igualdade parente à lei) e de liberdade (religiosa e de expressão). A verdade é que a sociedade foi transformada historicamente pelo Iluminismo e os seus ideais.

Além disso, a separação dos três poderes, os sistemas de fiscalização e controlo e a separação entre igreja e Estado (tornando o Estado laico), foram sistemas políticos e sociais propagados inicialmente pelo pensamento iluminista.

A valorização da razão e do meio científico, que temos hoje em dia, também tem bases no Iluminismo. Este incentivo levou à expansão da pesquisa, dos métodos científicos e da educação baseada na análise crítica!

E então, já sabe o que foi o Iluminismo? E a importância dos seus percursores? Se este artigo foi alguma ajuda, partilhe com outras pessoas que gostam de história. E para saber mais sobre a história da França, e eventos importantes como a queda da Bastilha, também se pode inscrever em aulas de história particulares!

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Louizy

Graduada em publicidade e especializada em Marketing. Adora ler e escrever sobre tudo e mais um pouco.

Catarina

Eterna otimista, com um bichinho por viajar. Apaixonada por literatura e ficção. Metro e meio de pessoa, vivo pelo lema "Though she be but little, she is fierce". Trabalho atualmente como tradutora e redatora freelancer.