A poesia parece algo muito sério e difícil de aprender sempre que falamos sobre ela na escola. No entanto, ela não é mais nem menos do que um simples jogo da língua. Não há nenhum tipo de texto que valorize tanto as figuras de estilo, a ordem e a sonoridade das palavras ou as rimas, enriquecendo a sua composição e mensagem como nenhum outro estilo de escrita é capaz.

Neste tipo de escrita, nada acontece por acaso e as palavras são estrategicamente posicionadas para obter o efeito desejado. A poesia não se diferencia muito do xadrez no que toca a este ponto de vista, já que a posição de cada palavra é cuidadosamente pensada pelo escritor e o cuidado estético e sonoro da língua é levado ao extremo.

É por isso que os poemas nos transmitem tantas emoções diferentes: sentimentos como a alegria, a tristeza, dor, saudades, ou angústia são todos bastante comuns num bom poema, tratando-se realmente de uma das artes mais reconhecidas do mundo das letras.

Diferente de um texto escrito em prosa, em que o autor expõe argumentos, tenta convencer ou informar o seu leitor de alguma coisa, a poesia procura expressar o íntimo sentimental de cada poeta e transmitir esses sentimentos a quem lê os seus poemas.

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Na poesia é possível expressar os seus sentimentos mais profundos sem restrições. | Fonte: Pexels

Como em qualquer outro género artístico, a poesia reflete os pensamentos e valores de uma determinada época. A poesia do trovador não é igual a de um poeta moderno, por exemplo. E para conhecer estas diferenças deverá estar avançado na interpretação de texto.

Como iremos mostrar a seguir, é possível ver o desenvolvimento da língua portuguesa ao longo dos anos através da poesia, desde a época em que se misturava o galego e o português, correspondendo à idade média, até à época em moderna cujas temáticas literárias são um pouco diferentes das dos nossos antepassados.

Então, embarque nesta viagem de sensações e sentimentos e deixe-se absorver pelo amor pelo idioma e faça aulas ou tenha explicações de português, para aprender portugues tudo o que precisa de saber para dominar esta área.

Um verdadeiro poeta é alguém apaixonado pela sua língua e pelo seu uso. Caso contrário, não iriam ser capazes de inovar tanto a sua escrita e escolhê-la como principal veículo para a sua arte.

Existem vários poetas portugueses que merecem ser lidos por qualquer geração atual ou vindoura que fizeram parte da nossa cultura ao longo dos anos. Alguns exemplos são: Luís de Camões, Fernando Pessoa e os seus diferentes heterónimos, Florbela Espanca, Mário de Sá-Carneiro, Eugénio de Andrade, Sophia de Mello Breyner Andersen, Cesário Verde e Teixeira de Pascoaes, pelo que não deve esquecer de os mencionar aos seus alunos na altura de recomendar escritores que devem considerar ler caso gostem particularmente desta área da literatura. Estará sempre a ajudar os seus alunos na interpretação de texto.

Portugal tem diversos poetas que ficaram para a história. | Fonte: Pexels

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Tenha aulas da disciplina de português em Lisboa. | Fonte: Pexels

Aulas de portugues: a poesia ajuda a entender a evolução da língua

Como dissemos acima, as várias épocas da literatura portuguesa retrataram os costumes e os valores de cada momento histórico da nossa sociedade, servindo como forma de transmissão de morais e de mensagens importantes para a vida de qualquer indivíduo em comunidade.

Por exemplo, o barroco, na era clássica da literatura (século XVI), evocava temas religiosos e contestava alguns dos dogmas da igreja católica. A poesia dessa época também exaltava essas questões, como podemos ver pelo seguinte exemplo de Padre António Vieira:

"Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? (...) " - Sermão de Santo Antônio ou Sermão dos Peixes - 1654

Como já foi referido no início deste artigo, a literatura portuguesa teve início no século XII, na Idade Média, com os trovadores, ao mesmo tempo que Portugal se começava a afirmar como uma nação independente. Estas importantes personagens da nossa história misturavam o galego, dialeto falado na Galícia no norte da Península Ibérica que faz hoje parte do território espanhol, com o português. Nesta época, o português ainda não era uma língua definida como nos dias de hoje, por isso havia a mistura entre os dois idiomas no dia a dia em sociedade.

Além disso, os temas dos seus poemas eram ainda relacionados com o humanismo, ligado ao renascimento, focando-se em questões como as artes, as descobertas científicas e a filosofia.

Estas e mais curiosidades podem ser aprendidas com apaixonados profissionais da área num curso de portugues.

Literatura portuguesa teve início no século XII, na Idade Média. | Fonte: Pexels

Já a era Moderna, vivida a partir do século XIX, possui várias correntes mais próximas do português que estudamos hoje na escola, como o Romantismo, o Realismo-Naturalismo, onde é importante destacar o escritor Machado de Assis, o Simbolismo e o Modernismo, com Mário de Andrade e Jorge Amado, entre muitos outros poetas que foram ganhando relevância e estatuto ao longo dos anos, capazes de quebrar os limites da escrita.

Entre estes escritores revolucionários temos José Saramago, premiado com o Nobel da Literatura em 1998, que foi um escritor e poeta que escrevia sem uma verdadeira preocupação com a métrica ou rima, longe das convenções poéticas das épocas anteriores e, por isso, os seus poemas são uma boa reflexão das mudanças na língua portuguesa.

Saramago é um dos autores mencionados no ensino secundário português. A sua escrita pode suscitar algumas dúvidas a alguns alunos e por isso as explicações portugues 12o ano são tão importantes.

Repare no seguinte poema e verá um verdadeiro exemplo desse tipo de escrita:

“Não direi:

Que o silêncio me sufoca e amordaça.

Calado estou, calado ficarei,

Pois que a língua que falo é de outra raça.

 

Palavras consumidas se acumulam,

Se represam, cisterna de águas mortas,

Ácidas mágoas em limos transformadas,

Vaza de fundo em que há raízes tortas.

 

Não direi:

Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,

Palavras que não digam quanto sei

Neste retiro em que me não conhecem.

 

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,

Nem só animais bóiam, mortos, medos,

Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam

No negro poço de onde sobem dedos.

 

Só direi,

Crispadamente recolhido e mudo,

Que quem se cala quando me calei

Não poderá morrer sem dizer tudo.” - Poema à Boca Fechada, José Saramago, 1981

Independentemente da sua área geográfica, a Superprof tem vários professores à sua disposição para o ajudar a tornar-se num melhor aluno da língua portuguesa e, quem sabe, um dia, um importante escritor.

Na aula de portugues ensine a poesia e as figuras de estilo

A poesia é o tipo de escrita onde as figuras de estilo são mais utilizadas. Para ter uma ideia da sua importância neste estilo literário, há muitas correntes de escrita que têm como característica diferenciadora certas figuras de estilo específicas. E isto deverá ser bem apresentado na aula de portugues.

O poeta tem várias inspirações para escrever seus textos
Desde paisagens aos sentimentos de amor, tudo pode inspirar um belo poema.

Por exemplo, na corrente do Simbolismo é bastante usada a sinestesia, ou seja, recorrer a planos contraditórios para transmitir uma emoção sensorial, tais como a mistura do paladar com o cheiro, ou a visão com o tato, e ainda a aliteração que significa repetir sons num mesmo verso ou frase. Vê como é importante aprender portugues?

“Em todos os jardins hei-de florir,

Em todos beberei a lua cheia,

Quando enfim no meu fim eu possuir

Todas as praias onde o mar ondeia.

 

Um dia serei eu o mar e a areia,

A tudo quanto existe me hei-de unir,

E o meu sangue arrasta em cada veia

Esse abraço que um dia se há-de abrir.

 

Então receberei no meu desejo

Todo o fogo que habita na floresta

Conhecido por mim como num beijo.

 

Então serei o ritmo das paisagens,

A secreta abundância dessa festa

Que eu via prometida nas imagens.” - Em Todos os Jardins, Sophia de Mello Breyner Andersen, 1944

 

“Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!

 

Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu.” - Mar Português, Fernando Pessoa, 1972

 

“Ser poeta é ser mais alto, é ser maior

Do que os homens! Morder como quem beija!

É ser mendigo e dar como quem seja

Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

 

É ter de mil desejos o esplendor

E não saber sequer que se deseja!

É ter cá dentro um astro que flameja,

É ter garras e asas de condor!

 

É ter fome, é ter sede de Infinito!

Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...

É condensar o mundo num só grito!

 

E é amar-te, assim, perdidamente...

É seres alma, e sangue, e vida em mim

E dizê-lo cantando a toda a gente!”, Ser Poeta, Florbela Espanca, 1931

Aulas de português são ideais para conhecer os principais poetas da língua portuguesa

Quem nunca se emocionou com uma poesia de amor? | Fonte: Pexels

Não é possível citar todos os incríveis poetas que fazem parte da nossa história como povo português, no entanto, vamos falar um pouco de cada um dos que mais marcaram a história do país e o estudo da língua portuguesa devido à sua escrita ímpar:

  • Luís de Camões (1524 - 1579 ou 1580): poeta e escritor épico que escreveu os Lusíadas, uma das peças literárias de maior exaltação patriótica. É ainda autor do seguinte poema que todos já bem conhecemos:

"Amor é um fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói, e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer.

 

É um não querer mais que bem querer;

É um andar solitário entre a gente;

É nunca contentar-se e contente;

É um cuidar que ganha em se perder;

 

É querer estar preso por vontade;

É servir a quem vence, o vencedor;

É ter com quem nos mata, lealdade.

 

Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade,

Se tão contrário a si é o mesmo Amor?” - Amor é um Fogo que Arde Sem se Ver, Luís de Camões, 1595

  • Fernando Pessoa (1888-1935): poeta e escritor de prosa conhecido mundialmente pela sua atípica escrita e pelas suas diferentes personalidades personificadas nos seus vários heterónimos como Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Ricardo Reis:

“Estou cansado, é claro,

Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.

De que estou cansado, não sei:

De nada me serviria sabê-lo,

Pois o cansaço fica na mesma.

A ferida dói como dói

E não em função da causa que a produziu.

Sim, estou cansado,

E um pouco sorridente

De o cansaço ser só isto —

Uma vontade de sono no corpo,

Um desejo de não pensar na alma,

E por cima de tudo uma transparência lúcida

Do entendimento retrospetivo...

E a luxúria única de não ter já esperanças?

Sou inteligente; eis tudo.

Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,

E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,

Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.- Estou Cansado, Álvaro de Campos, 1944

Não deixe de escrever versos para treinar seu texto
A poesia abre as portas da criatividade e permite que o escritor se exprima livremente.
  • Gonçalo M. Tavares (1970 - ): escritor e poeta contemporâneo que tem vindo a ganhar cada vez mais atenção mediática e prémios literários devido à multiplicidade das suas obras riquíssimas:

“Não há mortos que morram tanto como os nossos.

Se um daqueles que nos pertence morre sete

ou setenta vezes no coração,

de quem apenas ouvimos falar morre uma vez, na sua data,

e os que sempre viveram longe

morrem-nos metade ou um oitavo. E metade

de uma morte é quase nada, são casas

decimais no sofrimento. (Que digo? Milésimas, milésimas!)”, Os Mortos, Gonçalo M. Tavares, 2004

Este tema é o mais recorrente na literatura!
Este é o sentimento mais falado na poesia ao longo dos séculos, certamente!
  • Cesário Verde (1855 - 1886): considerado um dos vanguardistas da poesia portuguesa do século XX:


Cobertos de folhagem, na verdura,

O teu braço ao redor do meu pescoço,

O teu fato sem ter um só destroço,

O meu braço apertando-te a cintura;

 

Num mimoso jardim, ó pomba mansa,

Sobre um banco de mármore assentados.

Na sombra dos arbustos, que abraçados,

Beijarão meigamente a tua trança.

 

Nós havemos de estar ambos unidos,

Sem gozos sensuais, sem más ideias,

Esquecendo para sempre as nossas ceias,

E a loucura dos vinhos atrevidos.

 

Nós teremos então sobre os joelhos

Um livro que nos diga muitas cousas

Dos mistérios que estão para além das lousas,

Onde havemos de entrar antes de velhos.

 

Outras vezes buscando distração,

Leremos bons romances galhofeiros,

Gozaremos assim dias inteiro,

Formando unicamente um coração.

 

Beatos ou pagãos, vida à paxá,

Nós leremos, aceita este meu voto,

O Flos-Sanctorum místico e devoto

E o laxo Cavaleiro de Faublas…” - Eu e Ela, Cesário Verde, 1887

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Ricardo

Marketeer. Professor. Country Manager. Redator. Dedicação a 200% em tudo o que me comprometo ao longo da minha vida. Adoro as diferentes personalidades existentes em ambiente profissional e social. Em constante transformação. Escrevo para partilhar o meu conhecimento e entusiasmo aos leitores que queiram ver respondidas as suas questões ou aprofundar algum tema.