A cerâmica tem origens milenares. É uma das formas de arte mais antigas, ainda que o seu propósito inicial fosse totalmente prático, e não decorativo como é hoje em dia.
A verdade é que, desde que surgiram, as artes cerâmicas têm continuado a evoluir, até chegarem à forma que conhecemos hoje em dia. Não apenas no seu propósito, mas também nos tipos de cerâmica que existem, os materiais e equipamentos que podem utilizados e, claro, as técnicas que os ceramistas aplicam para criar as suas peças.
Se tem interesse na olaria, é provável que até já conheça algumas delas. E é muito provável que até tenha algumas peças cerâmicas de decoração ou em utilização lá por casa. Mas se quer ficar a saber mais sobre o processo da arte cerâmica, e quais são as técnicas que pode utilizar para moldar as suas próprias peças, está no sítio ideal!
Modelagem manual
A modelagem manual é a técnica artesanal e basicamente aquela que todos sabemos fazer.

Neste tipo de modelagem moldamos o barro ou argila diretamente com as mãos para criar as peças de cerâmica.
É a forma mais simples de trabalhar estes materiais, mas que tem mais liberdade criativa. No fundo, o céu é o limite, pode criar as peças que quiser.
Basta amassar o barro e argila até que estejam maleáveis e e sejam fáceis de trabalhar. Depois, é só moldar a peça com as mãos até conseguir a forma que quer. Quando estiver satisfeito com o resultado final, basta deixar secar, para que a água evapore e a peça endureça.
A modelagem manual pode ser feita com recurso a várias técnicas distintas, como:
Técnica de beliscar (pinch pot)
Esta é uma das técnicas mais antigas e simples de moldar peças cerâmicas. Tem este nome porque, para a utilizar, é necessário beliscar o material para forma a peça.
Para criar uma peça com esta técnica, deve começar com uma bola de argila e pressionar suavemente entre os polegares e os dedos para criar uma depressão no centro. Depois, utilize os polegares e os dedos para beliscar o barro e moldar a forma. Se quiser, pode utilizar algumas ferramentas para acrescentar detalhes ou utilizar uma esponja húmida para conseguir uma superfície mais lisa.
É a opção ideal para criar pequenos vasos, tigelas e outras formas orgânicas. E pode ser utilizada até mesmo por ceramistas mais iniciantes, uma vez que requer poucas ferramentas e é fácil de aprender.
Técnica do rolinho
Nesta técnica, rola-se o barro numa tira longa ou "rolinho" de espessura uniforme. Depois, enrolam-se as tirinhas em espiral para construir a forma desejada, alisando-as, unindo-as e empilhando-as à medida que vai avançando.
Esta técnica é útil para criar formas mais complexas e estruturas maiores, como potes, esculturas ou formas esféricas. É muito versátil e permite criar uma grande variedade de formas e estilos.
Quando a sua peça estiver seca pode adicionar detalhes como texturas, relevos ou as cores que quiser.
Com placas (slab)
Nesta técnica, deve estender o barro ou a argila de forma uniforme numa superfície plana, com um rolo da massa. Depois, corta-se as formas necessárias para construir a peça desejada. Só falta montá-las, utilizando técnicas de sobreposição e junção para unir as peças, tal como quando estamos a fazer quebra-cabeças.
É a opção ideal para criar peças com linhas limpas e formas geométricas, como pratos, bandejas, caixas e formas arquitetónicas.
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Roda de oleiro
A modelagem com roda de oleiro é provavelmente a técnica mais comumente utilizada para criar peças de cerâmica, mesmo sendo tradicional. De forma simplificada, criam-se artigos cerâmicos ao moldar o barro ou a argila que giram numa roda.

Existem dois tipos de rodas de olaria:
- manual: operada inteiramente pela força física do ceramista, que utiliza a sua própria mão ou pé para a fazer girar. Permite ter um maior controlo sobre a velocidade de rotação, o que facilita os ajustes precisos enquanto está a moldar o material. Estas rodas são normalmente mais simples em termos de design e construção e são mais fáceis de transportar;
- mecânica: alimentada por um motor elétrico, permite controlar a velocidade e a direção da rotação com pedais ou controlos manuais incluídos. Possui controlo variável de velocidade, o que permite que ajuste a velocidade de rotação de acordo com as suas necessidades. Este tipo de rodas oferece uma rotação suave e constante, permitindo moldar a peça de forma consistente e são mais fáceis de utilizar para iniciantes.
Para trabalhar com uma roda de oleiro, deve colocar a argila ou o barro no centro da roda. Centrar o material pode parecer óbvio, mas é essencial para conseguir manter a peça centrada enquanto a roda gira, principalmente se for a alta velocidade.
Quando estiver satisfeito com a posição, utilize os seus dedos ou uma ferramenta para abrir um buraco no centro do material, e formar o interior da peça. E, sempre com a roda a girar, continue a dar forma à peça, modificando a sua altura ou diâmetro. Aqui é necessário ter cuidado com a pressão aplicada, para conseguir atingir uma forma uniforme e simétrica.
Se quer garantir que a peça está bem centrada, aplique pressão uniforme na argila para a empurrar para cima e para baixo na roda.
Tal como acontece com a modelagem à mão, pode depois utilizar ferramentas ou esponjas húmidas para dar forma e textura à superfície da peça. Incluindo puxar, torcer, alisar ou esculpir a argila para criar detalhes decorativos ou formas complexas. Quando chegar ao resultado final que pretendia, está na altura de deixar a peça secar.
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Criar peças cerâmicas com moldes
Embora não seja estritamente uma técnica feita com as mãos, a prensagem em molde também pode ser uma opção. É menos criativa que os métodos mencionamos anteriormente, mas permite obter resultados mais "limpos" e uniformes. É o processo utilizado na produção industrial, porque resulta em peças idênticas e é mais rápido do que o modelo artesanal.
De forma simplificada, esta técnica envolve a utilização de um molde onde se coloca o barro ou a argila (normalmente em estado líquido). Estes moldes podem ser feitos de gesso, silicone ou outros materiais resistentes, e pode criar os seus próprios moldes ou utilizar moldes pré-fabricados para produzir peças em série.
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Kurinuki
Kurinuki é uma técnica japonesa de escultura em cerâmica que tem como objetivo esculpir uma peça de argila numa forma tridimensional a partir de um bloco maciço do material. Em japonês, "kurinuki" pode ser traduzido como "esvaziar".

É uma técnica valorizada pela sua conexão com a tradição japonesa e o sua ênfase na simplicidade e na beleza natural das formas esculpidas à mão.
Esta técnica é bastante diferente das outras formas de modelagem em cerâmica que mencionamos até aqui. Enquanto que as técnicas tradicionais envolvem a construção de uma peça ao adicionar camadas de material ou moldando o barro ou a argila numa forma inicial e depois refinando-a, a kurinuki começa com um bloco sólido de argila e esculpe-se a forma desejada removendo partes da argila.
Para criar peças com kurinuki deve fazê-lo da seguinte forma:
- O ceramista começa com um bloco sólido de argila ou barro que seja grande o suficiente para conter a forma desejada da peça final;
- Utilizando ferramentas de escultura como estecas, facas ou cinzéis, o artesão esboça a forma geral da peça na superfície do bloco;
- O ceramista começa então a esculpir a argila, removendo cuidadosamente partes do bloco para revelar a forma tridimensional da peça. Este processo é feito lentamente e com cuidado, para garantir que a forma resultante é suave e simétrica;
- Depois da forma básica estar esculpida, o ceramista pode começar a refinar os detalhes, suavizando as superfícies, adicionando texturas ou esculpindo características decorativas;
- Após a conclusão da escultura, a peça é deixada para secar completamente. Depois de seca, o ceramista pode fazer ajustes finais, como lixar ou polir a superfície, antes de prosseguir para o processo de queima.
Agora diga-nos, qual é a técnica que está mortinho para experimentar? E se gostava de as pôr todas em prática mas ainda é muito iniciante no mundo da olaria e não sabe por onde começar, porque não pedir ajuda a um professor de cerâmica?
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